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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XIV - Nº 169 ABRIL 2019
Sistehood: os impactos do genocídio na população negra
[Imagem ilustrativa: CTB]

Pesquisas apontam que o número de jovens negros e negras assassinados no Brasil seja três vezes maior do que o de jovens brancos. A população negra tem seus direitos negligenciados na saúde, educação e segurança pública e isso tem reflexos nas estatísticas de mortes. O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Raça e Saúde (NEGRAS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), lança o terceiro volume do Caderno Sisterhood, que discute, em suas 197 páginas, a intolerância e o preconceito nas mais diversas esferas da sociedade contra a população negra, manifestada pelo crescente número de mortes e pelo desrespeito aos direitos que proporcionariam melhores condições sociais de vida. Essa edição traz como temática “O Genocídio negro: impactos na saúde das mulheres, juventude, comunidades tradicionais e comunidade LGBT”. O genocídio é o extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso. Embora considerado um Estado Democrático, as pesquisas apontam que a população negra, no Brasil, tem seus direitos negligenciados na saúde, educação, segurança pública e que isso tem reflexos nas estatísticas de mortes. Não é casualidade que, no país, o número de jovens negros e negras assassinados seja três vezes maior do que o de jovens brancos. Os artigos publicados tratam de “Mortes praticadas pela Polícia Militar da Bahia: uma revisão de literatura”; “Autoavaliação negativa de saúde em mulheres negras e brancas associada às características sociodemográficas no Brasil”; “Juventude negra no Brasil: para uma desconstrução de um corpo marginal e descartável”; “A questão racial no discurso de guerra às drogas”; “Violência institucional contra a mulher negra em situação de abortamento”; “Feminicídio no Brasil e os impactos do racismo: Uma Revisão da Literatura”; “Mulheres apenadas no conjunto penal feminino: a função ressocializadora na prevenção da reincidência”; “Pertencimento Étnico e a Formação da Identidade do Homem Quilombola: Diante da Paternidade na Comunidade de Barra do Brumado Rio de Contas Bahia”; “Estudo sistemático sobre a prevalência/incidência de doenças hipertensivas específicas da gravidez (DHEG), segundo raça/cor no Brasil (2010-2015)” e “O Genocídio do povo negro no Brasil de Abdias do Nascimento ao Mapa da Violência”. Baixe a publicação na íntegra. Zelinda Barros | Fonte: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Raça e Saúde (Negras).

A liberdade religiosa como direito à transcendência

Por Rui Luis Rodrigues - Para iniciarmos nossa reflexão, basta pensarmos no fato de que a própria ideia de que os seres humanos possuem direitos considerados inalienáveis passou a ser estranha para muita gente – e isso no âmbito mesmo da sociedade ocidental onde a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi gestada como resposta à barbárie perpetrada não apenas pelo totalitarismo fascista, mas também por outras instâncias que operaram, em diferentes contextos, formas de degradação do ser humano. A liberdade religiosa é, um direito à transcendência. Dado o enraizamento profundo dessa experiência humana, a supressão dessa liberdade tem consequências funestas. Vedar o exercício da liberdade religiosa na forma de práticas de devoção, experiências de culto ou rememoração e perpetuação de tradições constitui aquilo que já foi denominado espoliação antropológica. A exploração ocidental na África privou os africanos não apenas de melhores condições socioeconômicas pela redução à pobreza material, mas espoliou-os também de suas tradições ancestrais e de suas cosmovisões específicas ao forçar seu enquadramento em sistemas religiosos alienígenas. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jornal da Unicamp.

A trajetória do movimento negro na construção da Lei 10.639/2003

Por Valdisio Fernandes - Uma condensação de textos e notas da luta pela aprovação do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. A longa história de luta pelo direito à escola e à educação sempre se constituiu como pauta do movimento social negro, com registros sistemáticos, desde os tempos do jornal O Clarim, posteriormente denominado O Clarim d´Alvorada. Fundado em 6 de janeiro de 1924, já no primeiro número apresenta a educação como o caminho para a ascensão social dos negros. De acordo com Pinto (1993), foi a partir das primeiras décadas do século XX, que se tornou possível notar indícios de uma mudança significativa do movimento negro que, se antes apresentava como uma de suas propostas se educar, passa para um outro cenário, no qual também reivindica do sistema educacional formal e da sociedade brasileira o reconhecimento da sua cultura, do seu modo de ser e da sua história. O ressurgimento do movimento negro, especialmente a partir da segunda metade da década de 1970, ainda no período da ditadura militar (1964-1985), motivou e culminou em importantes pesquisas acadêmicas. pesquisas sobre o negro em livros didáticos brasileiros revelaram que a discriminação racial estava presente de forma explícita e que a hierarquia entre brancos e negros se apresentava implicitamente, em particular, na maneira como os indivíduos negros eram colocados em posições de desvalorização social. A Convenção Nacional do Negro Pela Constituinte em Brasília (DF), entre 26 e 27 de agosto de 1986, encaminhou um documento com uma série de reivindicações para o Congresso Nacional e Constituinte, e a inclusão do ensino de história da África no currículo escolar. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Instituto Búzios.

Décio Freitas: muito mais que Palmares

Por Mário Maestri - Em 1973, Décio Freitas publicou Palmares: a guerra dos escravos, pela Movimento, de Porto Alegre. O limitado alcance da pequena editora progressista explica que o sucesso do livro não tenha sido ainda maior e, talvez, ter sido editado, já que o país vivia então sob o tacão despótico do general Garrastazú Médici. Freitas escrevia para o público leitor e não para os historiadores. A elegância da escritura sustentou revolução epistemológica na historiografia brasileira de sua época. Em seu livro inaugural e trabalhos posteriores, interpretou o passado pré-abolição como "sistema escravista" determinado pela oposição visceral entre "escravos" e "senhores-de-escravos". O que hoje parece banal, era e fora visão abraçada por meia dúzia de autores como Benjamin Péret, Clóvis Moura, Emilia Viotti da Costa. Jacob Gorender publicaria o germinal O escravismo colonial apenas em 1978. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Pravda.

FNDC: A conjuntura política do Brasil e os desafios na luta pela democratização das comunicações

Após um detalhado balanço da luta pela democratização das comunicações conduzida pelo Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação - FNDC ao longo do último período, combinada com o agravamento da situação política do Brasil, compartilhou-se a percepção de que vivemos, atualmente, o estágio mais avançado da história recente do país em termos de degradação do exercício da liberdade de expressão. De forma difusa, no entanto, esse cenário começa a se alterar a partir de um determinado momento, que se evidencia com o crescimento de um processo de cerceamento e tentativas de silenciamento de vozes “dissidentes” dos grandes grupos econômicos de comunicação. É o caso, por exemplo, da perseguição e censura contra blogueiros e ativistas de comunicação digital, além da continuidade da perseguição histórica contra comunicadores populares e comunitários, e realizadores de midialivrismo em geral. O golpe parlamentar-jurídico-midiático que culminou no afastamento da então presidente Dilma Rousseff, em 2016, foi um passo adiante e decisivo nessa escalada autoritária de violações à liberdade de expressão. A criminalização da luta política, capitaneada pela mídia hegemônica, de forma geral, teve como foco central os setores de esquerda. Leia na íntegra as Resoluções do Conselho Deliberativo. Fonte: FNDC.

O “quadrante mágico” (RICI) que desafia os EUA e o Ocidente

Por José Eustáquio Diniz Alves - A década de 1990 assistiu ao poder unipolar dos EUA e parecia que a democracia liberal e as forças de mercado predominariam no mundo. A recomendação dos EUA para o resto do mundo foi a universalização do regime democrático liberal, com predominância das forças de mercado. Isto está expresso no decálogo do “Consenso de Washington”. Todavia, a predominância americana, junto ao poder do G7, foi abalada por uma série de transformações no cenário global. Para piorar o sonho americano, a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, e a recessão que enfraqueceu a economia dos EUA e a economia europeia, deixou o Ocidente com uma influência menor e mais fraco na competição direta com o Oriente. A correlação de forças mudou completamente no espaço de 30 anos. Em 1992, a economia do grupo RICI (Rússia, Índia, China e Irã) representava apenas 14,6% do PIB mundial, enquanto os EUA, a União Europeia e o Canadá representavam 46,4% (os líderes ocidentais eram mais de 3 vezes maiores do que o “quadrante mágico”). Contudo, as duas primeiras décadas do século XXI assistiram uma mudança épica, com os dois grupos se aproximando e com a ultrapassagem do RICI sobre os EUA+Canadá+União Europeia a partir de 2020 (32,2% contra 31,7%. Segundo dados do FMI, o “quadrante mágico” vai abarcar 34,3% do PIB global em 2023 contra 29,9% dos EUA, Canadá e União Europeia. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos.

Feminismo se aprende na... Sala de aula

Por Carolina Delboni - Coletivos formados por meninas crescem nas escolas públicas e particulares e trazem à discussão o machismo praticado dentro (e fora) dos muros das instituições. Foi-se o tempo em que os grêmios eram praticamente donos das falas para um grande grupo do colégio. De alguns anos para cá, as meninas passaram a ocupar lugar de liderança nos espaços coletivos dos colégios. São elas hoje que puxam as conversas, articulam com professores e coordenadores, espalham cartazes pelas escolas, passam em salas de aula para dar recados e convocar participações. Os espaços públicos das escolas se tornaram um grande palco de fala e escuta para as meninas que, ao se darem conta que precisavam se unir, começaram a formar coletivos feministas. Sair para descobrir o mundo das meninas, ou o mundo feminista, é revelador e fascinante. Fortes, articuladas e empoderadas – palavra da moda, mas que as representa muito bem –, elas têm força de fala e escuta. São meninas que estão construindo possibilidades nunca antes permitidas. Coisa de gente grande e que sabe a importância de lutar pelos seus direitos e lugar em sociedade. As meninas estão por aí e tem muita menina foda. Pelos movimentos de rua, nas redes sociais, nas batalhas de Slam, na política, nos coletivos, em casa e nas escolas. Sim, nas escolas como nunca antes foram vistas. Leia a matéria completa. Fonte: Revista TPM.

Quanto vale o trabalho doméstico? Pelo menos R$ 580 bilhões ao ano, só no Brasil

Por Gabrielle Estevans - O “mito Amélia” ajudou a romantizar a gestão doméstica feminina. Travestido, hoje, de “bela, recatada e do lar”, tais estereótipos colocam a mulher como herdeira natural dos serviços da casa. Representações sociais como essa retroalimentam o que correntes das ciências humanas chamam de “divisão sexual do trabalho — configuração que classifica funções, tarefas e espaços ocupados por cada gênero na sociedade. Mesmo num cenário em que 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, 82% dos afazeres de casa ainda são realizadas por elas, algumas em dupla jornada e outras tantas — 40 milhões — tendo como única atividade o trabalho doméstico não remunerado. Segundo o IBGE, as mulheres trabalham o dobro do que os homens — 20,9 horas semanais, em média, contra apenas 11,1 horas executadas por eles. Para a ONU Mulheres e para a Eurostat (agência de estatísticas da União Europeia), é fundamental que atividades realizadas em lares também entrem na conta do PIB se quisermos estimar o tamanho da economia de um país. Só assim abriremos espaço para a discussão sobre a desigualdade de gênero em tarefas invisibilizadas. Leia a matéria completa. Fonte: Hypeness.

Natural para quem? A mercantilização do amor-próprio feminino

No seu ensaio O Mito da Beleza – Como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres, duras palavras foram escritas em 1990 pela estadunidense Naomi Wolf.  Nele, ela descreve o que diz ser o último estandarte da dominação masculina. O mito da beleza. Uma amarra psicológica com a qual todas as mulheres se veriam presas em maior ou menor intensidade. Naomi analisa a intensificação da exigência da beleza feminina depois da chamada segunda onda feminista, na década de 1960, quando as mulheres exigiam o direito ao trabalho fora do lar. Para ela, com o passar do tempo o mito se adequaria às bandeiras levantadas pelas mulheres, sem, contudo, libertá-las da sua própria lógica de submissão – a da terceira jornada de trabalho. Depois dos afazeres do lar e emprego, a mulher ainda se vê obrigada a cuidar da aparência. 28 anos depois da publicação d’O Mito, uma quarta onda feminista surge com a força vinda das redes sociais, do compartilhamento de informações em tempo real e da sensação de união – mesmo que virtual – provocada. É nesse contexto que surgem os discursos da auto-aceitação, amor-próprio e valorização da beleza natural. Eles entraram pelas redes sociais, se popularizaram, e hoje alcançam espaço até mesmo nos principais canais midiáticos do país. A publicação é resultado de uma parceria entre o Portal Catarinas e o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Leia a reportagem na íntegra. Fonte: Catarinas.

Direito e educação em estado de exceção

Por Carolina Catini - Neste texto a autora faz uma análise da educação capitalista, enfatizando a mudança na função social da educação massiva ao longo do processo histórico. A autora relaciona as transformações sofridas pela educação formal às mudanças na forma de realização dos direitos sociais e da força de trabalho como mercadoria. A reflexão sobre as bases que foram criadas para sujeitar a educação à uma forma específica de controle por parte de grandes conglomerados empresariais, indaga sobre a necessidade de a educação tornar-se um objeto de crítica da economia política. A partir da teoria marxiana, a autora examina a complexa conjuntura atual e os impactos do crescente conservadorismo, que se materializa no aumento do controle militar, religioso e empresarial da educação formal e não formal, modificando significativamente a estrutura educacional e alterando suas práticas e suas relações. De modo que a intenção é chamar atenção para a subordinação e controle do trabalho educativos aos ditames de conglomerados empresariais, através do ajuste do serviço estatal à lógica de gestão empresarial. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Cadernos Cemarx, n. 11, 2018, IFCH – Unicamp.

Nos acordes da raça: a era do jazz no meio afro-brasileiro

Por Petrônio Domingues - As jazz-bands emplacaram no Brasil na década de 1920. Fizeram um sucesso extraordinário e impulsionaram as chamadas danças e músicas modernas norte-americanas. Que jazz essas bandas tocavam? Pode-se dizer que essa expressão musical, na medida em que foi apropriada pela população afro-brasileira, permaneceu igual àquela entoada pelos norte-americanos, ou adquiriu uma “cor local”? O artigo tem a intenção de mapear a presença do jazz no meio negro de São Paulo na década de 1920 e demonstrar como o estilo de origem afro-diaspórica impactou a vida cultural desse segmento populacional, influenciando inclusive suas experiências de sociabilidade. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 10, n. 25, p. 66 – 98, UDESC, 2018.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Aline Alsan, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Keu Souza, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Jonaire Mendonça e Erica Larusa.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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