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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 160 JULHO 2018
As novas publicações acadêmicas
focadas na produção Africana
Por André Cabette Fábio – Plataformas querem divulgar a produção científica do continente. Elas permitem que pesquisadores compartilhem e acessem artigos científicos de forma gratuita. Em abril de 2018, pesquisadores reunidos numa conferência de acesso aberto em Kumasi, em Gana, discutiram a necessidade de um repositório que reunisse iniciativas de publicações científicas africanas adeptas da prática. Esse foi o ponto de partida para a criação da mais nova publicação científica de acesso aberto focada na produção do continente, lançada em junho de 2018. A publicação se chama AfricArxiv e foi fundada por Justin Ahinon e Jo Havemann. Ela recebe artigos de todas as áreas e línguas africanas, incluindo suaíli e akan. Uma equipe de 12 cientistas se voluntariou para gerir o serviço, sem remuneração. Em março de 2018, o Next Einstein Forum, que é ligado ao Instituto Africano para Ciências Matemáticas, e a editora Elsevier anunciaram a criação de uma publicação acadêmica de acesso livre chamada Scientific African. A Elsevier é uma das maiores editoras do mundo e suas publicações mais renomadas não são de acesso livre. Em abril de 2018, a AAS (sigla em inglês para Academia Africana de Ciências) e a F1000 (abreviação de Faculty of 1000) lançaram uma publicação chamada AAS Open Research. A F1000 se dedica à publicação de artigos científicos, em especial das áreas de biologia e medicina. Leia a matéria completa. Fonte: Nexo Jornal | Foto: Antonio Cruz, ABr.

Entrevista | Rosane Borges: “O racismo é um dínamo do capitalismo”

Por Fábia Prates - A questão racial foi percebida pelo pensador alemão Karl Marx (1818 – 1883) como fator determinante para as relações de exploração do trabalho? Rosane Borges, pós-doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, diz que não. Autora de livros como Esboços de um tempo presente (2016), Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro (2004) e Mídia e Racismo (2012), ela afirma: “Se é lícito falarmos em dívidas, incompreensões e reducionismo, é à teoria marxista que devemos cobrar a fatura por não ter pensado concomitantemente a instauração das desigualdades e hierarquias em consórcio com o racismo e o sexismo, variantes perpetuamente utilizadas para o triunfo do capital”. A pensadora negra explana como raça e gênero são elementos vitais e essenciais para se pensar a dinâmica do capitalismo. “A teoria marxista opera uma virada essencial: tira do domínio da teologia, do direito divino e da biologia a chave explicativa das desigualdades e hierarquias. O campo da teoria social e econômica, tronco de onde florescem os postulados marxistas, afastou da categoria classe qualquer vínculo com o mundo natural. Tudo isso reflete-se em novas formas de concepção dos sujeitos. O discurso do reconhecimento e da identidade é obra da nossa aventura moderna. Quando analisamos com um mínimo de atenção os papéis dos não brancos no mundo, veremos a posição subalternizada, de classe, que a raça lhes atribui na dinâmica de exploração do capital. Houve uma influência, no sentido anti-horário, da luta política antirracista e antissexista nas reconfigurações do marxismo”. Leia a entrevista na íntegra. Jorge Luís R Santos | Fonte: Goethe Institut.

A luta contra o racismo e a questão da identidade negra no Brasil

Por Celia Maria Marinho de Azevedo - O objetivo deste artigo é mostrar os percursos da identidade negra na história brasileira. O primeiro item aponta para a ideia de democracia racial entre militantes negros no Século XX. O segundo aborda a luta do movimento negro contra o mito da democracia racial nos anos 1970 e 80. O terceiro trata do debate sobre as políticas afirmativas com cota racial. A conclusão discute os paradoxos atuais do antirracismo brasileiro, dividido entre aqueles que defendem a inclusão da noção de “raça negra” em políticas públicas e outros que a recusam para celebrar a “mestiçagem”; enquanto isso, o racismo institucional combinado ao capitalismo perpetua a miséria nas vidas da população afrodescendente. No cenário do movimento antirracista brasileiro é possível perceber um nítido corte discursivo ao longo da construção de uma identidade negra. De início, em meados dos anos 1970, época em que se estruturava o Movimento Negro Unificado (MNU), a identidade afro-brasileira ou afrodescendente se impunha num tom híbrido de afeto pelos ancestrais silenciados e de combate contra o grande mito da democracia racial brasileira. Já nos anos 1990, a identidade negra, afro-brasileira ou ainda afrodescendente começa a se transformar numa identidade explicitamente de “raça negra”, por força dos acesos debates em torno da cota racial ou de seu eufemismo à “ação afirmativa” – mais palatável a públicos desacostumados a se referir aos brasileiros de pele escura como membros de uma “raça”. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Contemporânea, v. 8, n.1, 2018, UFSCar.

O movimento negro e a luta pelas políticas de promoção da igualdade racial no Brasil

Rosenverck Estrela Santos - Este artigo analisa a promoção das políticas públicas de igualdade racial no Brasil, a partir da atuação do movimento negro. Tecemos algumas considerações sobre as relações étnico-raciais e a produção da desigualdade social, bem como sobre as dificuldades para se promover políticas públicas de recorte racial. Destacamos a luta do movimento negro na conquista de direitos sociais e identitários para a população negra e problematizamos essas conquistas no contexto das contradições do neoliberalismo e da globalização. Ainda prevalece no país o racismo institucional que se manifesta de forma (in)direta nas instituições sociais e governamentais dissimulando práticas de discriminação sob a luz da igualdade jurídica de direitos. Muitas são as dificuldades enfrentadas diante do recorte da temática étnico-racial nas políticas públicas: o caráter residual dessas políticas, com poucos investimentos e fragmentação dos programas e ações; ausência de uma base conceitual para a formulação dos programas e ações que consiste, por parte do Estado, em entender as determinantes do racismo para mudar a mentalidade; a insuficiente interconexão entre as desigualdades étnicoraciais e as desigualdades sociais por meio da oferta hierarquizada dos serviços, benefícios e oportunidades. Leia o artigo na íntegra. Rafael Balseiro Zin | Fonte: Revista Kwanissa, v.1, n.1, jan./jun. 2018, UFMA.

Revista Coletiva: Dossiê Mulheres Negras

Apresentamos aqui um dossiê ao qual pertencem algumas provocações, informações, pessoas, fatos e falas, a fim de dar corpo e imagem ao que vem sendo pensado e feito por e para mulheres negras. Nosso recorte traz aspectos referentes ao trabalho, à estética e à política, através das artes, ciências sociais e cultura. Ele vem de um tempo em que as dificuldades prosseguem viscerais, latentes e manifestas em nossas vidas, em um cenário realista de extermínio das comunidades negras periféricas, exploradas pelo capitalismo contemporâneo, coberto pelo véu da colonialidade patriarcal, racista e sexista. Contamos com a escrita de cinco autoras-pesquisadoras em seus respectivos campos. Rivane Arantes e Juliane Lima contribuem na perspectiva do direito. A primeira discorre sobre trabalho doméstico e colonialidade no campo dos direitos civis e interseccionalidade; a segunda faz um apanhado sobre o direito à cidade e ao lazer, com seu recorte de classe e raça, elucidando as nuances do que se constitui por racismo ambiental. No campo da arte, aparecem Gabriela Santana e Ayla Andrade. Aquela recobre aspectos de uma dança que se insere no contexto de decolonização dos corpos, esta, com sua escrita, nos apresenta a obra de Stela do Patrocínio. Francineide Marques, com a proposição de uma leitura para o Feminismo Angoleiro, expõe aspectos e elementos de um feminismo transnacional, com uma firme alusão à cultura bantu no Brasil. Entrevistamos a socióloga Vilma Reis, que elucidou o viés da prática do movimento de mulheres negras e sua incidência nas políticas públicas brasileiras, ao considerar as especificidades das múltiplas vozes quando a questão é raça, gênero, sexualidade e território. Finalizamos o dossiê com o Especial Slam das Minas em Pernambuco, feito por Aline Cavalcanti e Marcela de Aquino. Leia o dossiê na íntegra. Fonte: Revista Coletiva, Número 22, 2018, Fundação Joaquim Nabuco.

Resenha: Pensamento abissal, educação e movimento negro

Por Maysa Ferreira da Silva - O Movimento Negro educador: Saberes construídos nas lutas por emancipação é uma versão atualizada da pesquisa do primeiro pós-doutorado de Nilma Lino Gomes (2017), que ocorreu com a supervisão do Prof. Dr. Boaventura de Souza Santos, que também prefaciou este livro. É com propriedade que ela elegeu como tese principal de seus estudos no pós-doutorado o papel do Momento Negro Brasileiro como educador, produtor de saberes emancipatórios e um sistematizador de conhecimentos sobre a questão racial no Brasil. Saberes estes que foram transformados em reivindicações, nos quais vários se tornaram políticas de Estados nas primeiras décadas do século XXI. Na perspectiva da referida é que o livro trata do valor epistemológico das lutas e dos movimentos sociais, em especial o Movimento Negro do Brasil, evidenciando como ator político que educa o próprio momento e como também educa a escola, o Estado e a sociedade. O Movimento Negro politiza a ideia de raça e a interpreta como estrutural e estruturante na perspectiva de se compreender a complexidade do quadro de discriminação e desigualdade no Brasil, ou ainda, a interpreta afirmativamente como construção social. Desse modo, coloca em xeque o mito da democracia racial, quebrando formas de resistências das forças conservadoras representadas pelo capital e por grupos privilegiados. Portanto, esse movimento é o mediador na aprovação de políticas de ações afirmativas nas universidades e nos concursos públicos. Para tanto se faz necessário compreender como se deram as tensões históricas construídas nas relações de poder e conhecimento e que envolvem coletivos sociais e suas práticas, ou ainda, a tensão regulação-emancipação no contexto social. Leia a resenha na íntegra. Zelinda Barros | Fonte: Educar em Revista, v. 34, n. 69, 2018, UFPR.

Casei com uma feminista

Por Rubens Casara – Em 1998, o escritor Philip Roth publicou o livro Casei com um comunista, no qual aborda os traumas do pós-guerra, a paranoia anticomunista, o fenômeno do macarthismo e as perseguições político-ideológicas que destruíam o laço social e a perspectiva de mudança radical na sociedade norte-americana. Trata-se de uma história sobre traição, crueldade e vingança, mas, sobretudo, sobre o medo da liberdade, do pensamento e da diferença. Ainda hoje, há quem explore os preconceitos, a ignorância e o medo ligados ao significante “comunismo”. Demonizou-se o comum, demonizaram-se pessoas. Com relação ao feminismo, não é muito diferente. O ódio que a palavra desperta está intimamente ligado a um sistema de privilégios que resiste e à posição daqueles que não querem ver esse estado de opressões, que se dão nos registros do real (naquilo que não encontra palavras), do simbólico (da linguagem) e do imaginário (da imagem que se tem do mundo), desaparecer. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Cult.

A classe operária feminina no Brasil hoje

Por Diana Assunção - Neste artigo vamos buscar dar um pequeno retrato desse verdadeiro batalhão que é a classe operária feminina em nosso país. “Pequeno”, pois as mulheres compõem grande parte da gigante classe operária brasileira, ocupando os postos mais precários e muitas vezes desconhecidos de um Brasil profundo. Dos 10 aos 60 anos, as mulheres são mais de 40 milhões da população ocupada no Brasil, ou seja, cerca de quase metade da classe trabalhadora brasileira, sendo 20 milhões de negras. Dentre os desempregados, até 2015, as mulheres são mais de 5 milhões, com maioria também de mulheres negras. 10,5% das mulheres brancas ocupadas trabalham sem carteira assinada, 11,8% das negras também. 18% das mulheres negras que trabalham são empregadas domésticas. Entre os precários e informais, sem estatísticas claras, as mulheres são a esmagadora maioria. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Diário Liberdade.

Ensaio | Imaginando Violência: “O Poder” da Fantasia Feminista, de Elaine Showalter

Tradução de Emanuela Siqueira - Elaine Showalter nasceu em 1941, em Boston, nos Estados Unidos. É uma das principais teóricas e críticas feministas sendo a fundadora da chamada ginocrítica, que como ela mesma define é pensar “a mulher como escritora…levando em consideração a história, temas, gêneros e estruturas da literatura escrita pelas mulheres”. Desde 1969 ela organiza disciplinas na área dos estudos feministas, inaugurando essa área em grandes universidades estadunidenses como Princeton. Infelizmente os livros de Elaine Showalter ainda são parcamente traduzidos no Brasil, um dos seus livros mais conhecido é também sua tese de doutorado, A Literature of Their Own: British Women Novelists from Brontë to Lessing (1977), no qual faz uma análise histórica da literatura escrita por mulheres. Ainda conta na sua bibliografia outros importantes estudos feministas como Sister’s Choice: Tradition and Change in American Women’s Writing (1991) e Inventing Herself: Claiming a Feminist Intellectual Heritage (2001). Leia o ensaio na íntegra. Fonte: Outras Pontes.

Revisitando Aníbal Quijano e a colonialidade do poder na América Latina

Por Bruno Lima Rocha – Oferecemos aqui uma revisitação ao clássico de Aníbal Quijano: “A Colonialidade do Poder, Eurocentrismo e América Latina”. O intelectual peruano escreveu em forma de artigo acadêmico um texto que deu base a uma proposta epistemológica para interpretar corretamente nossas estruturas societárias e perspectivas históricas latino-americanas, buscando livrar-nos das armadilhas do eurocentrismo. Produzido no auge do período neoliberal da década de ’90 do século XX e lançado no primeiro ano do novo século, segue mais atual do que nunca, em especial após a nova-velha guinada à direita de nossos países no Continente. Quijano traz os problemas de fundo de nossas sociedades, incluindo o perfil étnico-cultural e a composição do andar debaixo da sociedade e a pobrexa herdeira da colônia como base da pirâmide social desigual e arraigadamente injusta. Regionalizando as composições, observamos,  em termos gerais, situações tais como: maioria “branca” no Cone Sul em função do genocídio indígena do século XIX; aparência de “democracia racial” no Brasil, Venezuela e Colômbia e a consequente invisibilidade dos afro-descendentes; a impossibilidade de criar uma nação, um suposto Estado-nação homogêneo sem modificar profundamente a interpretação histórica; o conflito permanente do Estado independente convivendo com uma sociedade colonial (colonizada, portanto, pós-colonial). Leia o artigo na Integra. Fonte: Jornal GGN.

As Duas Faces da Renda Básica Universal

Por Miguel Ángel García Vega - Os céus ameaçam tempestade. Os especialistas ainda não sabem se cairá com a suavidade de uma garoa ou a violência de um furacão, mas está chegando. Se demorará cinco anos ou uma década, mas está chegando. O homem terá de procurar abrigo sob novos sistemas de proteção social. Porque aqueles que existem são cada vez menos eficazes diante da desigualdade ou do desaparecimento de milhares de empregos por causa da robotização, da economia dos algoritmos e da inteligência artificial. Começa o debate da Renda Básica Universal (RBU). Uma renda mínima que todas as pessoas receberiam “simplesmente” por existir. Um abrigo contra a tempestade no qual muitos adivinham a nova fronteira do Estado de bem-estar social. Essa esperança percorre o mapa-múndi. Geografias tão diversas como Finlândia, Ontário (Canadá), Stockton (Califórnia), Barcelona, Quênia, Escócia, Utrecht (Holanda), Reino Unido, Itália e Índia já colocaram em funcionamento ou estão preparando programas-piloto de renda básica. Embora a ideia de uma renda básica tenha um tom de política de esquerda, a verdade é que também foi defendida por economistas conservadores e até organizações de centro-direita como o Instituto Adam Smith admitem sua validade. Outra coisa é o preço que exigem: desmantelar o resto do sistema de proteção social. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Juciene Santos, Larissa Almeida, Tom França.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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