INFORME
Nº 99 JUNHO 2013 |
A Revolução Copernicana de Jacob Gorender |
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Morreu na terça-feira (11/06/2013) aos 90 anos o historiador marxista Jacob Gorender. Entre as obras mais importantes que fazem parte da historiografia brasileira estão O escravismo colonial (1978), Combate nas trevas (1987) e A escravidão reabilitada (1990). "Com O escravismo colonial, Jacob Gorender perscrutou as leis tendenciais do modo de produção escravista colonial [definido como historicamente novo] que conformara a antiga formação social brasileira”. Declarou Mário Maestri. O coletivo do Instituto Búzios expressa profundo pesar pela morte de Jacob Gorender, um dos mais brilhantes pensadores brasileiros! Para a compreensão do papel do negr@ na história do Brasil e a importância estratégica do povo negro na construção de uma sociedade igualitária e multiétnica. Sua destacada contribuição teórica, ao lado de Florestan Fernandes, [ As quais soma-se outros pensadores, escritores, intelectuais e lideranças negras ] é fundamental para uma elaboração de um projeto político do povo negro em nosso país. Gorender estará sempre presente em nossas mentes com o conhecimento que nos transmitiu. Como homenagem a Gorender, republicamos aqui o texto de Mário Maestri: “A Revolucao Copernicana de Jacob Gorender”. Assista o vídeo sobre "O Escravismo Colonial". |
De luzes e trevas: a Constituição Federal e os processos de regularização fundiária entre populações indígenas |
Manifesto coletivo divulgado por antropólogos brasileiros - Discurso que simplifica demarcação de terras serve de base para ações de extermínio, submissão e esbulho dos povos indígenas. De maneira flagrantemente parcial, a mídia brasileira tem criminalizado a regularização fundiária de terras habitadas por populações indígenas no país. Para resumir os alarmantes argumentos, a ideia mais comum veiculada é a de que esses processos são artifícios fraudulentos, que transformariam “terras produtivas” e de “gente que trabalha”, em “reservas indígenas”. Para bom entendedor, meia palavra basta, como é de domínio popular. O que se anuncia é que terras “produtivas” serão tornadas “improdutivas” e, paralelamente a isso, “gente que trabalha” será como que “substituída” por “gente que não trabalha”, isto é, “índios” – como se os índios não trabalhassem ou produzissem. É sempre preciso trazer à luz o fato de que este arcabouço ideológico cauciona, insidiosamente, ações e disposições tanto do Estado brasileiro quanto de agentes privados na direção do extermínio, submissão e esbulho daqueles povos. Leia o Manifesto na íntegra. Elenice Semini | Fonte: Repórter Brasil. |
Para além do oficialismo e do esquerdismo no movimento antirracista
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Por Dennis Oliveira – No mês de maio, foi realizado na Universidade de São Paulo, o seminário "10 anos da Lei 10639/03 – Balanço e Perspectivas". Participaram do evento cerca de 120 pessoas, a esmagadora maioria profissionais de educação. Mas o que chamou a atenção nos debates de sábado foi a presença de uma questão de fundo que permeia os movimentos sociais no momento em que vivemos. Como se deve dar a relação entre movimentos sociais e governo, principalmente quando se trata de governos com um cunho mais progressista. Na questão específica do movimento anti-racista, um autor citado na mesa redonda de sábado foi o sociólogo Clóvis Moura (autor de "Dialética radical do Brasil negro" e "Rebeliões da senzala"). Moura é, constantemente, desqualificado na academia e até por alguns dirigentes do movimento negro. Cobram dele uma "maior precisão nas informações e nos dados" (uma pessoa em uma banca de qualificação da qual participei na FFLCH-USP questionou, por exemplo, a ênfase dada por Moura para o Quilombo dos Palmares dizendo que se ele foi tão importante porque hoje não há "remanescentes como de outros quilombos", esquecendo ou fingindo desconhecer que Palmares foi massacrado). Leia o artigo na íntegra. Fonte: Geledés. |
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Por Cris Oliveira - “Como você lida com o racismo lá?” Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia à todos – inclusive a mim mesma, era sempre :”Nunca tive de lidar com racismo lá”. Deixa eu explicar direito o porquê de minha surpresa e de minha resposta. Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e de ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças à Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, eu acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava. Quando cheguei o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas. Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros além de ainda terem dificuldade em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo. A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram, são muito bem punidos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Blogueiras Negras. |
Creuza Maria Oliveira: "Se a PEC das Domésticas existisse, não teria sofrido tanto" |
Creuza Maria Oliveira, 56 anos, sofreu na pele a escravidão em pleno século XX. Tinha menos de 10 anos quando trabalhou como babá sem receber um centavo. O primeiro salário só veio aos 21 anos. Hoje, ela acumula uma trajetória de 28 anos de luta pelos direitos dos empregados domésticos. À frente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), mostra-se preocupada com a votação que irá regulamentar a PEC das Domésticas. Nesta entrevista, ela conta o drama de ser vítima, no trabalho, de exploração e assédio sexual. Leia a entrevista completa. Fonte: Universidade livre Feminista | A Tarde. |
Kenneth Bancroft e Mamie Phipps Clark - Auto-ódio: como o racismo atinge as crianças negras provocando o ódio em si mesmos
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Auto-ódio - o casal de psicólogos negros provam, através de experimentos, como o racismo atinge as crianças provocando o ódio em si mesmos. Enquanto trabalhava em seu mestrado, Mamie tornou-se cada vez mais interessada em psicologia do desenvolvimento. No momento em que estavam realizando estudos psicológicos sobre a auto-identificação em crianças pequenas ela sugeriu que gostaria de conduzir pesquisas semelhantes com seus filhos na creche. Seu marido Kenneth era fascinado por sua pesquisa de tese e depois de sua formatura juntou-se à esposa na investigação . Eles desenvolveram versões novas e melhoradas dos testes de cor em bonecas, aprofundando ainda mais nos estudos. Em 1939, ambos receberam mais três anos na 'Rosenwald Fellowship' para que pudessem concluir suas pesquisas, e também permitiu Mamie perseguir um grau de doutorado na Universidade de Columbia. A pesquisa de Kenneth e Mamie Phipps Clark desafiaram a noção das diferenças nas habilidades mentais de crianças negras e brancas e assim desempenhou um papel importante na desagregação das escolas americanas. Em 1954, em uma nota de rodapé famoso, essas conclusões foram citados em Brown vs Board of Education de Topeka, Kan., A decisão do Supremo Tribunal foi um marco que determinou que a segregação na escola pública era inconstitucional. Leia a matéria completa. Luh Souza | Fonte: História Preta - Fatos & Fotos. |
Denegrindo a Educação: um ensaio filosófico para uma pedagogia da pluriversalidade
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Por Renato Noguera - O objetivo deste trabalho é apresentar algumas reflexões filosóficas em favor de uma educação antirracista. A proposta pode ser descrita como uma declaração filosófica afroperspectivista, isto é, um exercício que dá visibilidade as pesquisas africanas e afrodiaspóricas. Um ensaio que é atravessado pelo paradigma da pluriversalidade na busca do exercício de denegrir a educação. Vamos empreender uma incursão filosófica afroperspectivista, trabalhando o conceito de denegrir como possibilidade de encontrar sentidos relevantes para uma educação pluriversal. Considerando que a educação atravessa uma série de tensões em torno da ideia de que o acesso às instituições de ensino é um direito social de todas as pessoas e, ao mesmo tempo, o respeito às diferenças exige a diversidade de narrativas, de lógicas e epistemologias no currículo. Um dos desafios está na busca da equidade das perspectivas culturais e no efetivo exercício da interculturalidade. Leia o artigo na íntegra. Jesiel Oliveira | Fonte: Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação, número 18. |
Quatro tecnologias da identidade juvenil feminina
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Por Angela McRobbie - [Tradução: Liv Sovik] O patriarcado ressurgente e o cerceamento de gênero. Um novo contrato sexual mais cultural do que jurídico está disponível para mulheres jovens, sobretudo no Ocidente, que as incentiva a assumirem um lugar e a aproveitarem oportunidades de trabalho, de qualificação, de controle da fertilidade e de renda para participarem da cultura de consumo que, por sua vez, torna-se uma definidora dos modos contemporâneos de cidadania feminina. Uma série de tecnologias é ativada para que esses incentivos surtam efeito. Essas tecnologias incluem diversas práticas sociais e culturais que se caracterizam pela experiência de movimento combinada com a exposição da jovem subjetividade feminina aos holofotes, tornando-a visível de uma forma específica. Por isso, utilizo o termo “luminosidade”, de Deleuze. A ideia de um holofote móvel é adequada porque reflete algo do panóptico de Foucault, mas em lugar da vigilância produz-se um efeito teatral ou cinematográfico. Utilizo o termo “espaços de atenção” para examinar como essas luminosidades operam na vida cotidiana. Revisão: Patrícia Farias e Eneida Leal Cunha. Leia o artigo na íntegra. Luciene Lacerda | Fonte: Revista Z Cultural, Ano VIII, nº 02. |
Carta à Câmara: SBPC e CFP pedem descriminalização do aborto Brasil
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No Brasil, estima-se que sejam realizados mais de um milhão de abortos ilegais todos os anos, colocando em risco a saúde e a vida de várias mulheres. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), e entidades que apoiam a causa solicitam, por meio de Carta, audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB/RN), para debater a retirada do aborto inseguro no País da esfera criminal. O grupo também questionará a tentativa de instalação, na Câmara, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o aborto. “Além de não contribuir com a busca da garantia dos direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres, poderá acarretar imensos prejuízos para a sua efetivação e eficácia”, diz a Carta. O documento ressalta a preocupação com a saúde das mulheres, mostrando as consequências do abortamento inseguro. Pesquisa realizada pelo Instituto Allan Guttmacher (AGI, sigla em inglês), aponta que, em 2005, foram praticados mais de um milhão de abortos clandestinos no Brasil. Além disso, levantamento do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo revelou que, entre 1995 e 2007, a curetagem pós-abortamento foi a cirurgia mais comum realizada no sistema público de saúde, com mais de três milhões de procedimentos. Leia a matéria e a Carta na íntegra. Fonte: Comissão de Cidadania e Reprodução. |
Conexões perigosas: a vigilância oculta na grande rede
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As grandes corporações privadas que atuam na internet, como Google e Facebook, não apenas usam o enorme volume de dados que possuem sobre os usuários como fonte de renda. Elas são capazes, hoje, de exercer um refinado controle ético e político sobre os indivíduos, de acordo com Marcos Dantas, professor titular da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. “Essas corporações detêm informações cotidianas sobre nossos hábitos e gostos, nível educacional, opção política e religiosa, que o próprio Estado não tem”, alerta Dantas, que ministra as disciplinas “Sistemas e Tecnologias de Comunicação” e “Economia Política da Comunicação”. Nesta entrevista ao UFRJ Plural, o docente afirma ainda que cerca de 70% das comunicações da internet no mundo estão nas mãos de uma única empresa norte-americana: a Level Three. E, segundo ele, quem financia a construção da imensa infraestrutura física necessária para a internet funcionar – “o mundo virtual é mera ideologia” – é o capital financeiro. Leia a entrevista na íntegra. Carlos Alberto de Oliveira (Carlão) | Fonte: Coryntho Baldez, UFRJ Plural. |
Brasil tem dois anos para apresentar marco regulatório de proteção de ecossistemas
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O governo brasileiro tem dois anos para apresentar um marco regulatório de proteção dos ecossistemas costeiro e marinho se pretende cumprir o compromisso firmado por vários países durante a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em junho do ano passado no Rio de Janeiro. No encontro, negociadores de vários países não conseguiram chegar a metas comuns para a proteção da biodiversidade em alto-mar. As regras nacionais para proteger os ecossistemas costeiro e marinho serão a base para que as economias cumpram as metas internacionais. No Brasil, a proteção dessa diversidade é assegurada apenas pela Constituição Federal, com a Lei de Gerenciamento Costeiro. Leia a matéria completa. Fonte: Ambiente Brasil. |
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INSTITUTO BÚZIOS INFORME
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal |
EDITOR
Valdisio Fernandes |
EQUIPE
Aderaldo Gil, Allan Oliveira, Atillas Lopes, Camila Valadao, Ciro Fernandes, Debora Anjos, Enoque Matos, Eva Bahia, Evani Lima da Silva, Gilson Moura Henrique, Guilherme Silva, Juciene Santos, Kenia Silva, Larissa Almeida dos Santos, Lidianny Fonteles, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Silvanei Oliveira, Tereza Cristina Santos, Tom França, Viviane de Jesus. |
COLABORADORES
Antonio Ribeiro, Arlene Malta, Egidio Levi, Elenice Semini, Isa Araújo, Gil Nunes, Laudiceia Gomes, Milena Brasil, Tiago Paixão, Washington Dias.
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Contato
buzios@institutobuzios.org.br |
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