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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 148 JULHO 2017
Em busca da comunidade futura

Por Nuno Ramos de Almeida - O senso coletivo, que caracterizava a condição operária nos séculos XIX e XX, esvaziou-se. É preciso buscar outros pertencimentos — e talvez eles se baseiem no que pretendemos que o mundo seja. Num tempo em que estamos atomizados e isolados – em que só “socializamos” pelo consumo; em que, segundo estudos científicos, somos definidos pelos likes automáticos que colocamos nas redes sociais; em que a imagem que damos são os reflexos dinâmicos dos condicionamentos que nos impõem; em que os estudos que sobre nós fazem permitem otimizar aquilo que querem que sejamos: grandes consumidores –, perdemos essa capacidade de criar uma comunidade de sentido. Às formas de comunidades utópicas de sentido, que viviam dos espaços livres que o capitalismo não tinha engolido, sucederam-se, melhor dizendo, consolidaram-se formas de contracultura e de criação de alternativas alicerçadas nas relações de produção. As culturas e identidades operárias foram a forja de grande parte das alternativas políticas que se desenharam desde os finais do século XIX até ao final do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

Como pensar o racismo: o paradigma colonial e a abordagem da sociologia histórica

Por Karl Monsma - As interpretações predominantes do racismo hoje integram o que chamo de“paradigma colonial”, a idéia de que o racismo se originou com a expansão colonial da Europa e a dominação dos europeus sobre os povos do resto do mundo. Vários casos empíricos de dominação racial ou de genocídio apresentam desafios para esta abordagem, especialmente a racialização de povos europeus por outros europeus e o racismo praticado por povos no resto do mundo. O artigo desenvolve o argumento de que muitos desses casos podem ser compreendidos dentro de uma versão expandida do paradigma colonial, salientando a subordinação dos povos da periferia da Europa, a expansão de impérios para as terras contíguas de outros povos, a conquista de impérios coloniais por alguns países não europeus,ou ainda formas de colonialismo interno. Entretanto, outras instâncias do racismo não podem ser explicadas dentro do paradigma colonial, por exemplo o antissemitismo europeu ou o racismo contra os povos romani (“cigano”), que já existiam antes da expansão imperial da Europa, ou ainda vários casos de dominação ou extermínio racial realizados por povos colonizados contra outros povos colonizados. O artigo desenvolve o argumento de que o racismo deve ser entendido como a dominação sistemática de um povo, ou grupo étnico, por outro, em conjunto com uma ideologia que essencializa o grupo subordinado como intrinsicamente inferior. A expansão européia é a principal força por trás do racismo no mundo moderno, mas não é a única origem do racismo. Leia o artigo na íntegra. Cecilia Sardenberg | Fonte: Revista de Ciências Sociais V. 48, n. 2, 2017, UFC.

Sociologia e o mundo das leis: racismo, desigualdades e violência

Por Paulo Ramos - Para quem debate a partir do campo da sociologia das relações raciais, eu poderia usar três exemplos em que nos deparamos com o mundo das leis. Um deles, da primeira metade do século XX, quando da criminalização do racismo; mais recentemente podemos citar a formulação das ações afirmativas; e outro exemplo bem atual, quando debatemos o Genocídio da Juventude Negra. A correção de injustiças e o combate às desigualdades depende, necessariamente, da ação do Estado; este, por sua vez, age por meio do seu corpo de leis. Assim, para produzir uma política de igualdade racial no campo da educação, foram necessárias apropriações e interações com o mundo das leis. O terceiro exemplo é mais complexo. Trata-se de um debate que busca compreender o chamado Genocídio da juventude negra, abastecido pela violência policial, pelos números dos homicídios e pelo encarceramento em massa no Brasil. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Justificando.

‘Mulheres, cultura e política’: discursos e artigos de Angela Davis

Novo livro da filósofa e ativista americana Angela Davis - A publicação, com tradução de Heci Regina Candiani, reúne a produção de Davis sobre as mudanças políticas e sociais pelas quais o mundo passou em relação à igualdade racial, sexual e econômica. “Em 1895 – cinco anos depois da fundação da General Federation of Women’s Clubs [Federação Geral de Agremiações de Mulheres], responsável por consolidar um movimento associativo que refletia as preocupações das mulheres brancas de classe média –, cem mulheres negras de dez estados se reuniram na cidade de Boston, sob a liderança de Josephine St. Pierre Ruffin, para discutir a criação de uma organização nacional de agremiações de mulheres negras. Em comparação com suas colegas brancas, as mulheres afro-americanas que instituíram esse movimento associativo nacional articularam princípios de natureza mais evidentemente política. Elas definiram como função primordial de suas agremiações a defesa ideológica e militante das mulheres negras – e dos homens negros – contra os danos causados pelo racismo. No ano seguinte foi anunciada a criação da National Association of Colored Women’s Clubs [Associação Nacional das Agremiações de Mulheres de Cor]. O lema escolhido pela associação foi “Lifting as we climb” [“Erguendo-nos enquanto subimos”]. Leia a matéria completa. Fonte: Nexo.

Comunicação, Educação e Arte - Interfaces para o enfrentamento do racismo

Rosangela Malachias – A arte sensibiliza as pessoas... Dignifica o mundo. Emociona, toca, mas também revolta, transgride, enfure-ce... E se a arte reúne saberes, técnicas e estrutural-mente constitui-se em algo belo... Então, em si, a arte é poder.Talvez por isso, a definição do que seja uma obra de arte seja feita por um discurso crítico-ideológico necessaria-mente não identificável. Seria então a crítica fruto do pensa-mento europeu? O mesmo pensamento que iluminou o mun-do das ideias e negou racionalidade histórica (HEGEL) ao continente negro? O mesmo pensamento eurocêntrico que estética-técnica e também intuitivamente reconheceu sujeitos, cujas mãos há-beis e sensíveis pintaram, esculpiram, escreveram obras de arte espalhadas por museus da Europa e do mundo, ironica-mente também ignorou a capacidade feminina de criar arte. E por mais que o mundo avance, as teorias racistas do século XIX não ficaram no passado. Cotidianamente precisam ser rebatidas, pois a sua reformulação e propagação nas mí-dias e redes sociais evidenciam que o poder sobre quem pode ou não experienciar a dignidade humana vem de cima, das instituições que definem e controlam o conhecimento e tam-bém vêm de dentro -  crenças e estereotipias apreendidas, assimiladas e reproduzidas. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Crioula nº 19, 1º semestre/2017, DLCV-FFLCH-USP.

110 anos de Frida Kahlo: como mexicana se tornou uma das mulheres mais conhecidas do mundo?

Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón, mundialmente conhecida por Frida, seguido do sobrenome alemão herdado do pai, Kahlo, completaria 110 anos no próximo dia 6/07/2017. A imagem de Frida também se transformou em um ícone pop: seu rosto estampa camisetas, canecas, ímãs de geladeira, bolsas e diversos produtos. "Kahlo reúne em uma só pessoa e obra vários elementos que contribuíram para que sua imagem se tornasse em mito: o exótico, o mundo subdesenvolvido como pano de fundo e o ser mulher, além de um talento plástico inegável e original", disse à BBC Brasil a professora da Universidad Autónoma Metropolitana de Xochimilco, Eli Bartra, autora de Frida Kahlo. Mujer, ideología, arte. Segundo Bartra. "Nos lugares por onde passou, na Europa e nos Estados Unidos, a vida e a obra de Frida despertaram muito interesse. Com sua morte, estes lugares deram continuidade a construção do mito. Logo veio o interesse das feministas alemãs, por causa de sua origem alemã e por causa do nome 'Frida'. O movimento de 'chicanos' (mexicanos que moram nos EUA) também passou a se interessar pela figura da artista por acreditar que ela representava uma mexicanidade por excelência", explica a pesquisadora. Na década de 1950, Diego Rivera descreveu Frida como "a primeira mulher na história da arte a tratar, com absoluta e descomprometida honestidade, poderíamos até dizer com uma crueldade indiferente, aqueles temas gerais e específicos que apenas dizem respeito às mulheres". "Ela nunca se disse feminista, pelo menos nunca se apresentou assim. Mas podemos ver como sua obra retrata um universo de mulher e de uma rebeldia contra condição social das mulheres da época", explica Bartra. Leia a matéria completa. Fonte: BBC Brasil.

Tanya Saunders: Resistência Cultural, Gênero, Raça e Sexualidade em Cuba e no Brasil

A Profa. Tanya Saunders da Universidade da Flórida, é PHD em Sociologia pela Universidade de Michigan; e mestre em Política e Desenvolvimento Internacional do Gerald R. Ford, Escola de Políticas Públicas. Dentre seus interesses de pesquisa, vale ressaltar, a sua busca pelo aprofundamento no conhecimento acerca do ativismo no campo das artes, ou Artivismo, na Diáspora Africana nas Américas, inserindo os debates em torno das identidades sociais de raça, gênero e sexualidade. Tanya Saunders, que esteve no Brasil como professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Gênero, Mulheres e Feminismos (PPGNEIM) na linha de pesquisa Gênero, Arte e Cultura, realizou trabalho de campo sobre os movimentos sociais brasileiros baseados em artes urbanas e nos movimentos de educação alternativa. Nessa entrevista a docente apresenta sua trajetória como pesquisadora nos estudos sobre raça, gênero e sexualidade, culminando com sua proposta de uma Teoria Queer de Base, cuja gênese se deu a partir de seu trabalho de campo com mulheres negras lésbicas em Cuba e no Brasil. Segundo a pesquisadora os estudos interdisciplinares em raça, gênero, sexualidade e arte possibilitam a compreensão de novas formas de resistência ao racismo, sexismo e lesbofobia. Aponta também para seu interesse em pensar a teoria negra brasileira e possíveis redes de pesquisa e ativismo entre o Caribe, a América Latina e os Estados Unidos. Leia a entrevista completa. Felipe Fernandes | Fonte: Revista Cadernos de Gênero e Diversidade, v. 3, n.1, 2017.

Movimento Feminista: do chão de fábrica ao plenário

Nos últimos 100 anos a luta feminista por direitos da mulher e igualdade provocou impacto no cenário político brasileiro. De operárias grevistas em 1917 aos atuais grupos de pressão política, as mulheres tiveram de lutar muito para que algumas de suas demandas fossem atendidas. Pesquisas recentes aprofundaram a compreensão de diferentes momentos dessa história. Parte da organização feminista surgiu a partir da oposição de mulheres à ditadura militar (1964-1985). O recrudescimento do autoritarismo, principalmente a partir de 1968, produziu ondas de exilados entre os que se opunham ao regime. Muitas mulheres tiveram contato com o feminismo no exterior, principalmente na França. De lá, brasileiras e outras latino-americanas, também expatriadas em consequência dos golpes militares no Chile (1973) e na Argentina (1976), editaram publicações que procuraram servir como ponto de encontro do debate feminista no exílio. A não compreensão do papel das mulheres as deixou, durante muito tempo, relegadas à condição de coadjuvantes e subordinadas em partidos e sindicatos, meios nos quais se poderia esperar, por coerência ideológica, uma defesa do igualitarismo. O enfrentamento do patriarcado era geralmente colocado em segundo plano, depois da prioridade política, que era a crítica ao capitalismo. Havia uma crença de que a modernização da sociedade produziria a igualdade entre homens e mulheres. “Essa visão mecanicista foi questionada à medida que se verificou que a própria modernização mantinha os padrões patriarcais, dando-lhes nova roupagem e recompondo padrões de dominação, de violência contra a mulher, de desigualdades no trabalho e no salário. Leia a matéria completa. Fonte: Revista Pesquisa Fapesp.

Demissexualidade: sexo com conexão!

Por Ana Macarini - Com relação à sexualidade, a maioria das pessoas é alossexual – não, isso não quer dizer que a galera curte sexo por telefone -, embora essa também não seja uma má ideia para algumas pessoas ou momentos da vida. Os alossexuais compõem a maior parcela da humanidade e representam aqueles ou aquelas que sentem desejo sexual a partir de estímulos dos mais diversos: nudes, toques, filmes; sem necessidade de interações mais específicas com o parceiro, ou parceira, ou parceiros, ou parceiras. No outro polo oposto da curva residem os assexuais, essa é a turma que não sente falta ou necessidade de sexo, ou de contatos físicos de natureza sexual com outras pessoas. Há entre os dois opostos – alossexuais e assexuais – um grupo considerável de pessoas que funcionam de forma muito mais específica em relação à sua libido: os demissexuais. O demissexual só sentirá atração por outra pessoa se rolar desse encontro algo mais orgânico e ligado aos sentimentos do que uma simples atração física. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Blog da Igualdade | Contioutra.

Campo em Guerra: O aumento da violência no campo anuncia um cenário tenebroso para 2017

Longe das grandes cidades, o Brasil trava uma guerra de forças desiguais em batalhas pela terra e recursos naturais. O país é campeão mundial em assassinatos de líderes do campo. O primeiro semestre de 2017 não terminou e três grandes tragédias no campo entraram para a história do país. No Mato Grosso, em abril, nove trabalhadores rurais foram mortos com requintes de crueldade. Em maio, um ataque contra os índios Gamela, no Maranhão, deixou duas vítimas com as mãos cortadas, cinco feridos por bala e outros quinze machucados. O terceiro caso também foi em maio, mas no Pará, foi uma violenta ação da polícia que terminou com dez trabalhadores sem-terra assassinados. "A polícia chegou atirando”, disseram testemunhas que conseguiram fugir. Os três casos estão inseridos no contexto da disputa por terras, mas esse não é o único elo entre eles. A Repórter Brasil foi aos locais investigar os ataques e descobriu outro traço comum ainda mais alarmante: o tom premonitório. Para seguir esse cenário, lançamos o especial multimídia Campo em Guerra. Nele, investigamos as motivações dos ataques, o contexto em que as ilegalidades proliferam, as histórias por trás dos números e as ligações dessa violência com os setores produtivos que abastecem as grandes cidades do Brasil e do mundo. A série, ilustrada em linguagem HQ, combina ainda fotos, vídeos, áudios e infográficos com reportagens. Leia a reportagem na íntegra. Rubem Siqueira | Fonte: Repórter Brasil.

Públicas e privadas: a divisão de terras no território brasileiro

Por Rodolfo Almeida e Daniel Mariani - O Estado tem 47% das terras do país, principalmente na Amazônia. Áreas indígenas e de conservação ambiental representam 13% e 12%, respectivamente. o Nexo desenvolveu os mapas a seguir dividindo o Brasil de acordo com a categoria fundiária de suas terras. Com isso é possível compreender quais as dimensões do Brasil público e do privado, bem como o tamanho do território destinado aos indígenas, aos assentamentos e às terras de conservação ambiental pelo país. Se o território brasileiro consistisse apenas nas terras privadas, ele teria 53% da área do Brasil original, sem a maior parte da região Norte. Leia a matéria completa. Fonte: Nexo.

Como Montar e Regularizar um Provedor Comunitário de internet

O acesso à internet perdura como um desafio ao exercício pleno da liberdade de expressão no Brasil. De acordo com a última pesquisa TIC Domicílios — estudo realizado anualmente, desde 2005, para mapear o acesso à infraestrutura TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) nas residências urbanas e rurais do país e as formas de uso dessas tecnologias por indivíduos de dez anos ou mais— disponível, em 2015, apenas 51% dos lares brasileiros tinham algum acesso à internet. Nas áreas rurais, 78% das casas não possuíam acesso à internet. E em 76% das residências com renda familiar de até um salário mínimo não havia conexão. O Guia da Artigo 19, Instituto Bem-Estar Brasil e ANID - Associação Nacional para Inclusão Digital, apresenta um passo a passo detalhado sobre como montar e regularizar um provedor comunitário de internet. Os provedores comunitários de internet são uma forma colaborativa de inclusão digital em que um serviço privado de internet é contratado e distribuído para um número limitado de pessoas. Acesse o guia e faça download. Fonte: Artigo 19.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lidianny Fonteles, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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