O documento do USTR (Departamento de Representação Comercial dos Estados Unidos), colocou o Pix entre as medidas brasileiras que, na visão do governo americano, funcionariam como barreiras aos seus interesses comerciais. Ao lado de propostas de regulação de redes sociais, o sistema de pagamentos instantâneos aparece como um ponto de atrito, principalmente por seu modelo público e centralizado no Banco Central do Brasil.

 

No relatório, o órgão afirma que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix” e aponta preocupações de que haveria tratamento preferencial ao sistema, o que poderia prejudicar empresas estrangeiras de pagamentos eletrônicos, atingindo empresas de cartão de crédito como Visa e Mastercard, cujos modelos de negócio dependem de intermediação e tarifas, Enquanto o PIX é gratuito.

 

Lançado em 2020, o Pix se tornou popular rapidamente entre a população, a ponto de ser hoje o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando o dinheiro em espécie e os cartões, segundo informações do Banco Central (BC).

 

A tecnologia ultrapassou até mesmo as fronteiras do país. Os brasileiros já podem pagar com Pix em estabelecimentos do Chile, Argentina, Estados Unidos, Portugal, França, Paraguai, entre outros países. O cliente não precisa mais recorrer a cartões internacionais ou lidar com etapas adicionais.

 

O Banco Central do Brasil participa do projeto Nexus, que visa conectar o Pix aos sistemas de pagamentos de mais de 60 países, facilitando transferências internacionais imediatas.

 

O Pix reduz intermediários e elimina custos para o usuário. Segundo Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, esse é o ponto central da mudança.

“Além de ser um sistema de pagamento universal, ele é gratuito e acessível. O que talvez incomode é que o Pix funciona muito bem, enquanto em outros mercados o sistema é privado e não foi disseminado para toda a população. Com esse meio de pagamento evoluindo, inclusive com possibilidade de parcelamento, ele passa a competir diretamente com essas estruturas. Isso pode representar bilhões de dólares a menos em receita para essas empresas”, afirma Fontes.

 

A escala ajuda a explicar esse avanço. Dados do BC divulgados na última terça-feira (7), mostram que o Pix já responde por 54,7% das transações financeiras no país, com 42,9 bilhões de operações apenas no segundo semestre de 2025.

 

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, observa o porquê da disputa global por pagamentos.

“O sistema financeiro brasileiro é um dos mais sofisticados do mundo. Isso vem de um histórico de hiperinflação, em que não dava para esperar dias para compensar um cheque, o que levou o país a desenvolver soluções instantâneas, que ainda não são comuns em outros países”, explica.

 

O avanço do Pix reforça o Brasil como uma referência global em pagamentos instantâneos, mostrando que é possível construir uma infraestrutura eficiente, acessível e amplamente adotada. Isso fortalece o país no ecossistema de inovação financeira ao atrair atenção de outros mercados, incentivar parcerias internacionais e abrir espaço para que empresas brasileiras desenvolvam soluções sobre essa base.

 

Banco Central blinda o PIX de transferência a outro ente, público ou privado, assegurando o controle do mecanismo

 

O texto Incluído na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre autonomia financeira do Banco Central, define que compete exclusivamente à instituição a regulação e operação do arranjo de pagamentos de varejo PIX e da correspondente infraestrutura do mercado financeiro. E veda a concessão, permissão, cessão de uso, alienação ou, por qualquer título, transferência a outro ente, público ou privado.

 

Fonte: Mariana Suzuki, CNN Brasil e Estado de Minas.

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