[Sino do Whydah Gally encontrado no local do naufrágio, com a inscrição do nome do navio. Wikipedia]
Um estudo publicado em 23 de março na revista Heritage Science revisita um dos episódios mais simbólicos da era da pirataria e do comércio atlântico nas Américas. A pesquisa analisa artefatos recuperados do naufrágio do Whydah Gally, localizado em 1984 na costa de Cape Cod, nos Estados Unidos. O navio, capturado em 1717 pelo pirata Samuel Bellamy, afundou durante uma tempestade ao largo de Massachusetts, levando consigo metais preciosos, bens comerciais e vestígios diretos do tráfico transatlântico. Hoje, com mais de 200 mil artefatos resgatados, o conjunto permite reavaliar não apenas práticas econômicas da época, mas também preconceitos históricos consolidados. Entre os achados, destacam-se mais de 300 peças de ouro associadas ao povo Akan, da África Ocidental, integrante de uma das principais redes comerciais da chamada “Costa do Ouro” e representa o maior acervo analisado em um contexto arqueológico bem datado até o momento.
Às vezes, o que reluz de fato é ouro. Na costa da África Ocidental, durante a era das grandes navegações, havia uma crença de que os povos daquela região intencionalmente misturavam o metal com outros de menor valor, como prata ou cobre, ou até mesmo com pedaços de vidro.
A suspeita fazia com que ingleses, holandeses, suecos e outros europeus, que percorriam o que era conhecido como a Costa do Ouro, vissem seus parceiros comerciais com desconfiança.
“É um tema recorrente que eles adulteravam o ouro”, disse o geoquímico Tobias Skowronek, que estuda arqueologia na Universidade de Bonn (Alemanha).
Mas um estudo recente de artefatos recuperados dos destroços de um navio pirata sugere que os comerciantes da África Ocidental não estavam vendendo ouro adulterado. Os resultados foram publicados em março na revista Heritage Science.
Fonte: Folha de São Paulo / The New York Times.




