Novo Mapa Mundo, produzido a partir da Projeção Cartográfica Equal Earth

 

Diferente da tradicional projeção de Mercator (criado em 1569), que distorce a escala ao ampliar regiões próximas aos polos e reduzir áreas como África, América do Sul, e o Sul da Ásia, a Equal Earth busca devolver a proporcionalidade real aos continentes. A iniciativa levanta questões não apenas técnicas, mas também culturais e políticas sobre como enxergamos o mundo.

 

A projecção Equal Earth foi criada em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, é de domínio público e pode ser reproduzida em diversos formatos. Utiliza dados abertos e inclui mais de 2.600 topônimos, além de versões adaptadas para diferentes regiões do globo. A proposta ganhou força em campanhas internacionais como a Correct the Map. A resolução da ONU funciona como uma recomendação de adoção em escolas, editoras, empresas de tecnologia, governos e organismos internacionais e não como uma imposição cartográfica obrigatória.

 

Em 4 de setembro de 2026 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução Correct the Map, por 164 votos a 1, com seis abstenções. O texto foi patrocinado por Estados membros da União Africana e pelas Bahamas, com o Togo à frente da campanha. Os Estados Unidos deram o único voto contra, sob o argumento de que a resolução promovia uma agenda ideológica.

 

A resolução recomenda o uso da projeção Equal Earth no lugar da projeção de Mercator, criada no século 16. Mercator preserva os ângulos, o que a torna útil para navegar, e paga por isso esticando as áreas quanto mais longe se vai do Equador. O efeito mais citado é a Groenlândia, que no mapa aparece com tamanho parecido ao da África, quando a África tem uma área cerca de 14 vezes maior.

 

Votação sobre novo mapa-múndi se soma a série de ações da ONU contra o legado da escravidão e injustiças históricas. Em iniciativas recentes, órgão reconheceu tráfico transatlântico como ‘crime mais grave’ contra a Humanidade e cobrou medidas estruturais.

 

A resolução da ONU observa “com preocupação que essa distorção contribuía para minimizar a percepção da dimensão da África, da América Latina e do Sul da Ásia, e para perpetuar uma visão desequilibrada do mundo”.

 

Nesse sentido, o texto afirma que corrigir distorções cartográficas de dimensões continentais constitui um ato “de justiça cognitiva e reparação memorial”, fomentando a compreensão mútua entre os povos.

 

A resolução considera que os mapas constituem uma ferramenta educacional, científica e cultural fundamental que “molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”. Segundo o texto, as distorções têm impactos cognitivos, culturais, geopolíticos e socioeconômicos e constituem “vieses históricos, cuja correção promoverá reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.

 

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A União Africana União adotou o modelo Equal Earth (“Terra Igual”), projeção cartográfica que representa com mais precisão as dimensões de todos os continentes, particularmente a África.

 

Durante séculos, aprendemos a olhar para o mundo através de determinadas representações cartográficas. Essas representações parecem neutras. Mas não são necessariamente neutras. Todo mapa é uma forma de seleção, redução e representação da realidade. Um mapa precisa escolher: o que mostrar; o que omitir; qual escala utilizar; onde colocar o centro; como representar os territórios; quais fronteiras destacar; e, qual projeção cartográfica adotar. Não existe uma representação bidimensional da Terra que reproduza perfeitamente uma superfície tridimensional. Portanto, todo mapa contém escolhas. E escolhas podem refletir relações de poder.

 

A iniciativa também possui uma dimensão política evidente. Ela foi impulsionada por países africanos e se insere em um movimento mais amplo de questionamento de legados coloniais e de reivindicação de maior protagonismo do chamado Sul Global. E a votação revela essa dinâmica.

 

O Pacto para o Futuro, adotado pelos Estados-membros da ONU em 2024, enfatiza a necessidade de eliminar os vestígios de desigualdades históricas e estruturais e de erradicar todas as formas de discriminação.

 

Fonte: Poder Afrikano, ONU, Edrin.

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