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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XXII – EDIÇÃO Nº258 – SETEMBRO 2026
Comunicação e mobilização proativa para educação antirracista

Por Glauce Arzua, Letícia Carlos, Letícia Queiroz, Naiara Evangelo e Renan Simão – Há mais de vinte anos, o Brasil dispõe de legislações que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas. As leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 representam uma conquista histórica dos movimentos negros e indígenas, mas sua implementação ainda está longe de se concretizar plenamente em todas as escolas. O desafio, portanto, não é apenas normativo, mas também simbólico e político: como sensibilizar a sociedade para reconhecer a educação antirracista como direito coletivo e agenda estratégica para o país? Em um contexto de disputa por atenção e sentidos, fortalecer a educação antirracista exige narrativas capazes de ampliar repertórios, deslocar estereótipos e afirmar outros futuros. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Nexo.
Trump, supremacia branca e nazismo: o elo persistente
Por Celso Pinto de Melo – Ao tentar impor sua força e interesses, em nome de suposta superioridade moral, Washington ressuscita a crença no Destino Manifesto. Foi ela que estabeleceu hierarquias raciais e o suposto direito à violência branca. Foi ela que inspirou Hitler. O trumpismo não inventou o ódio à ciência – apenas o elevou à condição de método político. Tampouco inventou o racismo como linguagem de Estado – apenas lhe devolveu centralidade institucional. A novidade é outra: pela primeira vez em décadas, a extrema direita norte-americana tenta transformar uma guerra cultural em engenharia administrativa, com diretrizes explícitas para capturar agências, domesticar a produção de dados e punir a autonomia do conhecimento. Para compreender esse movimento, é preciso recuar: ao século XIX, ao mito do Destino Manifesto e à pedagogia da fronteira – quando a violência colonial foi apresentada como progresso inevitável e a supremacia branca como destino histórico. É dessa matriz que deriva, em linha sinuosa, mas persistente, a passagem da conquista do Oeste ao Lebensraum nazista, e deste ao America First contemporâneo. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.
Foucault segue atual na era das redes sociais
Por Marcio Tavares d’Amaral – No ano de seu centenário, filósofo francês segue interrogando o nosso tempo. Não é todo dia que um filósofo completa um século e continua nos obrigando a pensar o presente. Michel Foucault faria 100 anos em 2026, mas suas perguntas sobre poder, verdade, liberdade, desejo e os modos pelos quais nos tornamos sujeitos parecem menos interessadas em celebrar um passado do que em interrogar o nosso próprio tempo. Talvez seja justamente essa a medida da atualidade de um pensamento: não aquilo que permanece intacto, mas aquilo que, décadas depois, ainda é capaz de nos inquietar. Foucault morreu em 1984, antes da internet, das redes sociais, dos algoritmos que hoje selecionam o que vemos e desejamos, antes de um mercado capaz de transformar quase tudo em mercadoria e de uma sociedade na qual a exposição permanente de si se tornou uma forma cotidiana de existência. Ainda assim, é difícil pensar o presente sem esbarrar em algumas das questões que ele deixou. Quem conduz nossas condutas? Como nos tornamos aquilo que somos? Que relações existem entre poder, verdade e desejo? E, sobretudo, que possibilidades restam ao sujeito quando as formas de poder se tornam capazes não apenas de controlar comportamentos, mas de participar da fabricação dos próprios desejos? Leia o artigo na íntegra. Fonte: The Conversation.
Entre a cruz e a espada: movimentos sociais e polarização política
Por Massimo Modonesi | Tradução: Pedro Silva – A guinada política reacionária na América Latina não é obra exclusiva da extrema direita, mas sim resultado do esvaziamento do conflito social pelo centrismo progressista. Diante da ofensiva conservadora, a insubordinação extraordinária das massas segue sendo a única forma de romper o impasse. No âmbito macropolítico da América Latina a subalternidade parece ser a tendência dominante nesta era, embora formas e dinâmicas antagônicas e autônomas continuem a operar em segundo plano. Essa subalternidade deve ser rastreada no âmbito da experiência e, portanto, na complexidade de sua sedimentação política e cultural. Apresentarei uma visão geral concisa das lutas sociais e políticas na América Latina, uma região onde os fenômenos políticos se manifestam de forma generalizada com uma surpreendente sincronia, mas inevitáveis assincronias. Estas são considerações gerais, e não devem ser interpretadas como previsões, visto que, como sugeriu Gramsci, ‘Na realidade, só se pode “prever” cientificamente a própria luta, mas não os seus momentos específicos, que só podem ser o resultado de forças opostas em constante movimento […] “prevê-se” na medida em que se age, em que se faz um esforço voluntário e, portanto, se contribui concretamente para a criação do resultado “previsível”. A previsão revela-se, assim, não como um ato científico de conhecimento, mas como a expressão abstrata do esforço realizado, a forma prática de criar uma vontade coletiva’. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jacobin Brasil.
O que Olga Benário ainda diz ao Brasil?
Por Pedro Mastrobuono – Em setembro de 1936, há 90 anos, o Governo de Getúlio Vargas colocou Olga Benário Prestes, militante comunista grávida, em um navio e a deportou para a Alemanha nazista. de Hitler. Seu caso ilustra as tragédias e os silenciamentos impostos pela intolerância política. Olga, grávida, recorreu à Justiça para permanecer no país e para que eventuais crimes que lhe fossem atribuídos fossem aqui julgados. O habeas corpus nº 26.155 chegou à Corte Suprema. Em 17 de junho daquele ano, por maioria, o Tribunal não concedeu o pedido. O processo permanece hoje sob a guarda do próprio Supremo Tribunal Federal como parte de seu acervo histórico. Olga não precisava ser inocente de toda acusação contra ela para possuir direitos. Não precisava pensar como nós. Não precisava renunciar às suas convicções. Não precisava sequer despertar nossa simpatia. Precisava apenas continuar sendo reconhecida como ser humano. Talvez esteja aí uma das fronteiras mais difíceis de toda civilização. Os direitos humanos começam precisamente onde termina a nossa concordância com o outro. Anos depois, Olga passaria pelo sistema concentracionário nazista. Em 23 de abril de 1942, aos 34 anos, seria assassinada em uma câmara de gás em Bernburg. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.
A arquitetura do poder: o dólar, a financeirização e a luta pela soberania
O papel do dólar enquanto a principal moeda de troca no comércio mundial concede aos EUA um poder exorbitante. Este dossiê analisa a ascensão desta moeda, os mecanismos de sua dominação e os limites estruturais para construir uma alternativa ao dólar. Os Estados Unidos transformaram cada vez mais o dólar de um instrumento de troca em um instrumento de coerção. Sanções financeiras, congelamento de reservas soberanas, exclusão de sistemas de pagamento e instrumentalização das finanças internacionais demonstraram aos governos do Sul Global que a dependência do dólar acarreta riscos políticos crescentes. Quando aproximadamente metade das reservas cambiais da Rússia foram congeladas, muitos ministérios da fazenda ao redor do mundo se perguntaram, em silêncio, algo que antes parecia quase inimaginável: se isso pode acontecer com a Rússia, por que não conosco? O dólar, antes apresentado como politicamente neutro, se revelou profundamente enraizado nos objetivos estratégicos dos Estados Unidos. Hoje, as evidências disponíveis indicam que a preponderância do dólar é superior ao peso da economia dos Estados Unidos nos agregados globais de Produto Interno Bruto, comércio e finanças internacionais, refletindo uma assimetria estrutural no uso internacional das moedas. Dados da SWIFT mostram que a moeda responde por mais de 80% do financiamento do comércio internacional, em grande medida devido ao fato de que parcela significativa do comércio de commodities continua sendo faturada e liquidada em dólares. Além disso, o dólar mantém participação próxima a 60% nas reservas cambiais globais. Por outro lado, a evolução das reservas cambiais globais está marcada por um aumento significativo das aquisições de ouro por bancos centrais. Impulsionada pelos avanços na tecnologia financeira e na infraestrutura de pagamentos, observa-se a ascensão de sistemas alternativos de pagamento, custódia e liquidação, que passam a constituir possibilidades concretas ao sistema financeiro internacional centrado no dólar. Leia o dossiê. Fonte: Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.
Instituto Búzios, e a “Midia Negra e Feminista
Fundado em 2003, o Instituto Búzios tem mais de duas décadas de atuação na produção intelectual antirracista e anticapitalista. Segundo sites de pesquisa online na internet, é uma referência fundamental para quem busca formação política e debates densos sobre a interseção entre raça, classe e gênero.
O site da instituição abriga as ações da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, entidade nacional sem fins lucrativos. Baseada em Salvador-BA, tem secção no Rio de Janeiro-RJ. O portal serve para divulgar os projetos, pesquisas e articulações da instituição e dos movimentos sociais.
A “Mídia Negra e Feminista” – boletim eletrônico nacional de periodicidade mensal. A publicação lançada em 2004 tem enorme importância histórica e intelectual. O foco é artigos de opinião, ensaios teóricos, análises políticas profundas e preservação da memória negra no Brasil.
EXPEDIENTE
MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Publicação nacional digital online
Periodicidade: Mensal
EDITOR
Valdisio Fernandes
EQUIPE
Allan Oliveira, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Davino Nascimento, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Flávio Passos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Jeane Andrade, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lidia Matos, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Naira Silva, Patricia Jesus, Poliana Silva, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.




