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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XXII – EDIÇÃO Nº259 – OUTUBRO 2026
ONU: resolução de correção do mapa-múndi e projeção da África

[Mapa-múndi Equal Earth proporcionalidade real]
Em 4 de setembro de 2026 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução Correct the Map, por 164 votos a 1, com seis abstenções. O texto foi patrocinado por Estados membros da União Africana e pelas Bahamas, com o Togo à frente da campanha. Os Estados Unidos deram o único voto contra, sob o argumento de que a resolução promovia uma agenda ideológica. A resolução recomenda o uso da projeção Equal Earth no lugar da projeção de Mercator, criada no século 16. Mercator preserva os ângulos, o que a torna útil para navegar, e paga por isso esticando as áreas quanto mais longe se vai do Equador. O efeito mais citado é a Groenlândia, que no mapa aparece com tamanho parecido ao da África, quando a África tem uma área cerca de 14 vezes maior. Diferente da tradicional projeção de Mercator, que distorce a escala ao ampliar regiões próximas aos polos e reduzir áreas como África e América do Sul, a Equal Earth busca devolver a proporcionalidade real aos continentes. A iniciativa levanta questões não apenas técnicas, mas também culturais e políticas sobre como enxergamos o mundo. Está projecção foi criada em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, a Equal Earth é de domínio público e pode ser reproduzida em diversos formatos. Utiliza dados abertos e inclui mais de 2.600 topônimos, além de versões adaptadas para diferentes regiões do globo. A proposta ganhou força em campanhas como a Correct the Map, que defendem sua adoção em escolas e organismos internacionais. Leia a matéria completa. Fonte: Poder Afrikano, ONU, Edrin.
ONU: Novo portal em português sobre o Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e a Escravidão
Iniciativa do Departamento de Comunicação Global das Nações Unidas, a nova página do Programa de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e a Escravidão é dedicada à preservação da memória, educação e conscientização sobre a escravidão e seus legados. Estabelecido em 2007 através da resolução 62/122 da Assembleia Geral da ONU, o Programa Global de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e a Escravidão oferece informações sobre os impactos duradouros da escravidão nas sociedades contemporâneas e as contribuições históricas, culturais e sociais das populações africanas e afrodescendentes. A página amplia o acesso, para milhões de pessoas falantes de português a conteúdos sobre a história do comércio transatlântico de pessoas escravizadas, a resistência e o legado das populações africanas e afrodescendentes. Reúne recursos educativos, materiais multimídia e conteúdos sobre iniciativas das Nações Unidas relacionadas à promoção da igualdade racial, dos direitos humanos e da justiça histórica. Segundo a UNESCO, cerca de 12,5 milhões de africanos e africanas foram deportados à força por meio do comércio transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos 16 e 19. Desse total, estima-se que aproximadamente 5 milhões tenham sido levados para o Brasil, tornando o país o principal destino desse sistema de exploração humana nas Américas. Leia a matéria completa. Fonte: Organização das Nações Unidas.
O novo desenho da bancada negra na Câmara Federal
Por Carlos Trindade – Acompanhando de perto a atuação da Bancada Negra (criada em 2023) no âmbito do meu Doutorado, compartilho uma leitura preliminar sobre o saldo deste último pleito. Crescimento real: Houve aumento do número de parlamentares pretos(as) eleitos(as). Isso é um indicativo importante de consistência política, indo além das distorções da autodeclaração de conveniência que por vezes infla números com parlamentares sem compromisso orgânico com a pauta. Na transição legislativa saem nomes históricos da luta pelo encaminhamento da agenda negra no congresso, mas novos nomes na bancada negra chegam e assumem seus mandatos em 1º de fevereiro de 2027. Leia o artigo na íntegra.
O antídoto contra o avanço da extrema-direita, para uma virada no 2º turno das eleições
Por Luís Fernando Vitagliano – O antídoto contra o avanço conservador exige trocar o luto pela ação imediata, fundindo a força das pautas democráticas com a agilidade cirúrgica do microdirecionamento digital. Há dois posicionamentos perante os resultados eleitorais deste domingo: de um lado se frustrar com a votação, ficar em choque e aguardar a derrota. Ou, com outra postura, perceber que havia uma oposição preparada (principalmente na estratégia digital), com mais eficiência de campanha, e assumir que a resistência da coligação petista impediu uma derrota em primeiro turno. Essa segunda postura permite que se retome a campanha com mais assertividade, firmeza, abre espaço para rearranjar o necessário e mudar de direção para caminhar para a vitória em 25 de outubro. Comparar a campanha de rua com as estratégias e rede atuais é um disparate. Perceba que a estratégia de campanha e o comportamento de rede bolsonarista foram capazes de se organizar nosúltimos dias de campanha no 1º turno. Eles não fazem apenas campanha de rede, com propaganda segmentada, eles fazem também e antes o monitoramento de rede. Não, eles não são geniais e o petismo incapazes quando se trata de tecnologia digital. O PT varia sua estratégia de campanha, mas tem muita gente atuando no analógico ainda. Além disso, para fazer um bom monitoramento de rede é preciso ter ajuda das donas das plataformas. Ou seja, o trabalho de monitoramento é bem feito a partir do feedback das big techs, por isso os das campanhas da direita tem resultados melhores e mais rápidos e a esquerda precisa apostar no feeling para organizar estratégias. Leia o artigo na íntegra. Fonte: A Terra É redonda.
Ana Elisa, Deputada Federal mais jovem já eleita para a Câmara Dos Deputados no Brasil
Ana Elisa Santos Silva, 21 anos, do PT, foi eleita por com 524.216 votos e se tornou a deputada federal mais jovem já eleita para a Câmara dos Deputados no Brasil. Ela é também a deputada de esquerda mais votada da história de Minas Gerais e a sétima mais votada entre todos/as deputados/as eleitos/as no dia 4 de outubro de 2026. Ana Elisa chega a Brasília com uma votação histórica e assumirá o mandato em fevereiro de 2027. A jovem construiu a carreira política nas redes sociais, onde ganhou projeção com vídeos sobre política, direitos sociais e combate à desinformação. Com 1, 9 milhão de seguidores em apenas uma rede social, ela se destaca por abordar temas como racismo, feminismo e direitos sociais. Negra, nascida em 31 de agosto de 2005, em Divinópolis, filha de mãe solo e professora, além de influenciadora digital, Ana Elisa é estudante de Direito. Leia a matéria completa e assista o vídeo de Ana Elisa.
I e II Congressos de Artistas e Escritores Negros – 1956 e 1959
Por Dulce Araújo – O Primeiro Congresso de Escritores e Artistas Negros ocorreu entre 19 e 22 de setembro de 1956, com sua sessão de 20 de setembro marcada por importantes conferências no Anfiteatro Descartes da Sorbonne, em Paris, França. O Congresso teve como tema central: A luta contra a colonização, o racismo e a afirmação da identidade cultural e da negritude no cenário mundial. Reuniu mais de 600 intelectuais, artistas e estudantes da África, da Europa e da diáspora, incluindo nomes como Frantz Fanon, Aimé Césaire, Léopold Senghor, Cheikh Anta Diop, Richard Wright, James Baldwin, Clara Perez, Jean Price Mars, Claude Lévy Strauss, Édouard Glissant, Amadou Hampâté Bâ, Abdoulaye Wade, Paul Hazoumé, Ben Enwonwu, Jacques Rabemananjara, Emile Saint-Lo e outras personalidades. O Congresso de Artistas e Escritores negros, foi reconhecido pela UNESCO como o marco irreversível da ativa presença africana na cultura mundial. Seguiu-se um II Congresso, em 1959, em Roma. O Papa João XXIII enviou uma mensagem de encorajamento. O programa “África em Clave Cultural”, em 2023, debruçou-se, com o editor Filinto Elísio e o historiador, José A. Pereira sobre o contexto desses congressos e a sua importância para a África de hoje. A iniciativa foi do intelectual senegalês, Allioune Diop, fundador da Editora e da Livraria “Présence Africaine”, criada em 1947, com sede em Paris. A publicação se tornou uma importante plataforma de circulação do pensamento africano e negro no século XX. Foram muitos os escritores e artistas negros de todos os quadrantes da África e da diáspora que neles participaram, incluindo a África de língua oficial portuguesa, como fica patente na crónica de Filinto Elísio (Rosa de Porcelana Editora) que evoca a influenciação das antigas figuras nacionalistas da Casa dos Estudantes do Império na movida que conduziu aos Congressos. Leia a matéria completa. Fonte: DigiPress | Vatican News.
Na crise atual, Kwame Nkrumah voltou a ser leitura obrigatória
Por Muryatan S. Barbosa – O líder afromarxista Kwame Nkrumah nasceu em 21/09/1909. Ele dissecou os meandros do avanço imperialista na África do século XX em sua tese contra o neocolonialismo. Com a nova ofensiva estadunidense no Sul Global, reler e se armar com os argumentos de seu livro Neocolonialismo: estágio superior do imperialismo se torna uma tarefa incontornável dos dois lados do Atlântico. Tendo em conta sua relevância histórica e atualidade, Kwame Nkrumah (1909-1972) é ainda pouco analisado na academia brasileira. É mais um ilustre desconhecido que cabe revisitar. Francis Nwia-Kofi Ngonloma (Kwame Nkrumah) teve uma vida intensa e voltada para a práxis. Nasceu em Nkroful, um vilarejo na antiga Costa do Ouro (posteriormente Gana), então colônia inglesa. Frequentou escolas católicas e ainda jovem conseguiu uma bolsa para continuar seus estudos nos EUA. Mais especificamente na Universidade da Pensilvânia, onde formou-se em Teologia, Pedagogia e Ciência Política. Nessa estadia foi adquirindo uma formação cada vez mais de esquerda e anticolonialista, tornando-se dirigente estudantil. Conheceu os ensinamentos de Marcus Garvey, famoso líder negro à época, e tornou-se próximo ao historiador marxista Cyril R. James, que o incentivou a continuar sua formação acadêmica e política na Inglaterra. Assim ele fez. Mudou-se no início de 1945, tornando-se assistente de George Padmore, ex-integrante da Internacional Comunista e principal organizador do movimento pan-africanista na Europa. Padmore e Nkrumah foram centrais na realização do V Congresso Pan-Africano (Outubro, 1945), em Manchester, um evento crucial para a articulação dos movimentos de descolonização na África. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jacobin Brasil.
Silenciando a cor no pensamento social brasileiro
Por Petrônio Domingues – A contribuição de pessoas negras para o pensamento social brasileiro não é recente. Diante disso, a questão central deste artigo é saber como a produção intelectual de Manuel Querino, Evaristo de Moraes, Mário de Andrade, Virgínia Bicudo, Edison Carneiro, Clóvis Moura e Beatriz Nascimento dialogou com os paradigmas estabelecidos na historiografia da escravidão e do pós-Abolição, assim como na sociologia das relações raciais. Será argumentado que esses intelectuais, apesar do silenciamento ou das dificuldades de validação de suas narrativas, ideias e enunciações, foram propositivos, antecipando, complementando ou mesmo se opondo aos paradigmas que marcaram os estudos da experiência negra no Brasil durante o século XX. Em 1988, Clóvis Moura publicou Sociologia do negro brasileiro, livro no qual fazia uma constatação: o “pensamento social brasileiro” estava “impregnado” de uma “visão alienada, muitas vezes paternalista, outras vezes pretensamente imparcial” sobre o problema racial. A sociologia do negro, a seu ver, era uma “sociologia branca”, que poderia levar o negro a continuar sendo “cobaia sociológica daqueles que dominam as ciências sociais tradicionais”. Moura lançou o livro no ano do centenário da abolição da escravidão no Brasil. Àquela altura, ele reconhecia que o cenário intelectual estava mudando, que havia cientistas sociais que seguiam uma perspectiva científica diferente. A estruturação de uma “sociologia do e para o negro no Brasil” sinaliza um processo de eclosão, se não de consolidação, de um novo repertório de ideias, angulações e imaginações críticas, que tem contribuído para trazer à baila novas nuanças e reelaborações para a temática racial e suas reverberações em campos disciplinares distintos. Sua importância para a (re)formulação de novas agendas na produção intelectual é inconteste. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), USP.
Cinquenta anos construindo o comum
Por Marcela Magalhães de Paula e Maíla Diamante – Há meio século, a Festa do Avante! transforma um pedaço da margem sul de Lisboa numa cidade feita por trabalhadores e militantes onde promovem a cultura popular e a alegria coletiva – um momento raro mas muito potente da infraestrutura social que sobrou do comunismo europeu. De longe, vemos logo uma roda gigante e uma enorme bandeira comunista a disputar o céu, aparecendo acima das árvores da Quinta da Atalaia, na margem sul do Tejo, do outro lado de Lisboa. À noite, iluminada, gira veloz sobre um mar de gente, outras bandeiras, tendas, palcos e corredores improvisados. Quem chega pela primeira vez talvez pense, por alguns segundos, que está entrando numa enorme feira popular. E está. Mas também está entrando numa das mais antigas e singulares festas comunistas da Europa. A Festa do Avante! completou cinquenta anos em 2026 com um público que algumas estimativas informais situaram em torno de 170 a 200 mil pessoas ao longo dos três dias, embora a organização ainda não tenha divulgado uma contagem oficial consolidada. Espalhada por cerca de trinta hectares da Quinta da Atalaia, a edição reuniu mais de 50 concertos, mais de 50 debates, sessões e apresentações de livros e dezenas de espaços organizados por estruturas regionais do PCP, movimentos sociais e delegações internacionais. Leia a matéria completa. Fonte: Jacobin Brasil.
Os desafios da WAICO, a Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial
Por Rúbia Marcussi Pontes – Em 16 de julho, em Xangai, 29 Estados assinaram o acordo constitutivo de uma nova organização internacional: a WAICO, sigla em inglês para Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial. Um dos principais objetivos da WAICO é promover a cooperação científica e tecnológica internacional em inteligência artificial (IA), particularmente no desenvolvimento, no acesso e na aplicação de tecnologias e serviços de IA, de forma segura, ética e para fins civis. Como destacado em nota à imprensa dos Ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, das Relações Exteriores e da Ciência, Tecnologia e Inovação brasileiros, a WAICO também promoverá ecossistemas de código aberto, sem custos, conforme previsto no artigo 3 de seu acordo constitutivo, e se articulará com processos e organizações internacionais relevantes, em particular no âmbito da Organização das Nações Unidas. A sede da mais recente iniciativa intergovernamental para a governança da IA será em Xangai e entre seus membros fundadores estão países em desenvolvimento, como a China, o Brasil, a Rússia, a Indonésia, a África do Sul, entre outros. Leia o artigo na íntegra. Fonte: The Conversation.
Instituto Búzios, e a “Midia Negra e Feminista
Fundado em 2003, o Instituto Búzios tem mais de duas décadas de atuação na produção intelectual antirracista e anticapitalista. Segundo sites de pesquisa online na internet, é uma referência fundamental para quem busca formação política e debates densos sobre a interseção entre raça, classe e gênero.
O site da instituição abriga as ações da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, entidade nacional sem fins lucrativos. Baseada em Salvador-BA, tem secção no Rio de Janeiro-RJ. O portal serve para divulgar os projetos, pesquisas e articulações da instituição e dos movimentos sociais.
A “Mídia Negra e Feminista” – boletim eletrônico nacional de periodicidade mensal. A publicação lançada em 2004 tem enorme importância histórica e intelectual. O foco é artigos de opinião, ensaios teóricos, análises políticas profundas e preservação da memória negra no Brasil.
EXPEDIENTE
MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Publicação nacional digital online
Periodicidade: Mensal
EDITOR
Valdisio Fernandes
EQUIPE
Allan Oliveira, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Davino Nascimento, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Flávio Passos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Jeane Andrade, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lidia Matos, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Naira Silva, Patricia Jesus, Poliana Silva, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.




