Boletim Mensal do Instituto Búzios – Mídia Negra e Feminista

 

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ANO XXI – EDIÇÃO Nº250 – JANEIRO 2026

Panafricanismo, descolonização e a encruzilhada africana no século XXI

Por Richard Santos e Maria do Carmo Rebouças dos Santos – O 9º Congresso Pan-Africano, em Lomé, no Togo, em dezembro de 2025, foi concebido como um momento de síntese histórica e política. Não se tratava apenas de mais uma reunião internacional, mas de um esforço deliberado da União Africana para recolocar o panafricanismo no centro do debate global, em um mundo marcado por crises múltiplas, pela erosão do multilateralismo e pela permanência de hierarquias coloniais no plano econômico, cultural e simbólico. A construção do Congresso foi longa e atravessada por seis etapas preparatórias organizadas em pré-conferências nas seis regiões africanas. Resultado da Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana (2021-2031) instituída pela União Africana, a organização da conferência foi entregue ao Togo. O tema escolhido, Renovação do panafricanismo e o papel da África na reforma das instituições multilaterais, mobilizar recursos e reinventar-se para agir, indica tanto a ambição quanto as contradições desse processo. Uma etapa central para o Brasil foi a Conferência da Diáspora Africana nas Américas, realizada em Salvador, Bahia, em agosto de 2024. Esse encontro, organizado em parceria entre o Governo do Brasil, o Governo do Togo, a União Africana e o Governo do Estado da Bahia, marcou a primeira conferência preparatória oficial do Congresso Pan-Africano realizada fora do continente africano. A diáspora africana assume um papel estratégico. Ao transitar entre continentes, línguas e sistemas políticos, ela tensiona tanto as antigas metrópoles quanto os Estados africanos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Ano de 2025 reforçou expectativas positivas para o futuro da África

Historicamente, as notícias sobre a África que chegam por essas bandas são predominantemente negativas. Geralmente, quando há um estopim de conflitos regionais, golpes de Estado e crises humanitárias e instabilidades políticas. Entretanto, nos últimos anos, os avanços e conquistas de nações africanas têm logrado furar a bolha da imprensa hegemônica e conquistado espaço nos noticiários ao redor do planeta. Ficou difícil ignorar que das 20 maiores economias que mais crescem, 14 estão na África, segundo a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Analistas ouvidos pelo podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, avaliaram que o continente africano se torna cada vez mais estratégico. Leia a matéria completa. Fonte: Sputnik.

Imperialismo sem máscara, o ataque criminoso dos EUA à Venezuela

O que os Estados Unidos fizeram contra a Venezuela foi um crime internacional, deliberado, planejado, consciente, cometido por uma potência imperial que já não se constrange em agir como bandido global. Invadir um país soberano, atacar seu território, sequestrar seu presidente e sua companheira, à margem de qualquer organismo internacional, sem mandato da ONU, sem guerra declarada, sem legitimidade jurídica, é um ato de agressão, tipificado no direito internacional desde Nuremberg. Qualquer tentativa de relativizar isso é cumplicidade. A narrativa americana do “combate ao narcotráfico” é mentira deslavada, uma farsa reciclada, usada há décadas para encobrir intervenções militares, golpes, sabotagens e pilhagens. Foi assim na Colômbia, no Panamá, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia. Sempre a mesma fórmula, sempre o mesmo resultado, destruição, caos, apropriação de recursos, submissão geopolítica. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Telesur, Jornal GGN e redes sociais.

O sequestro de Maduro e a ofensiva imperial

Por Tiago Nogara – O ataque à Venezuela é o ato desesperado de um império em declínio, que vê na resistência bolivariana o símbolo maior de um hemisfério que lhe escapa. Mas a história, movida por milhões, não retrocede: o sequestro de Maduro apenas acelera o despertar dos povos. Os acontecimentos das últimas horas na Venezuela — marcados por uma escalada aberta da agressão imperialista estadunidense, materializada no bombardeio de Caracas e no absurdo sequestro do presidente Nicolás Maduro — não podem ser compreendidos como um episódio isolado ou circunstancial. Inscrevem-se, ao contrário, no esforço mais amplo dos Estados Unidos, consubstanciado no que os próprios estrategistas americanos denominaram como “Corolário Trump” da Doutrina Monroe, de reafirmar sua plena hegemonia no hemisfério ocidental, num contexto histórico caracterizado pelo esgotamento da unipolaridade e pela priorização explícita de frear o avanço do paradigma da multipolaridade, cujo principal polo emergente é a China. Leia o artigo na íntegra. Fonte: A Terra é Redonda.

A base de massas do neofascismo-bolsonarismo está no neopentecostalismo

Por Jair de Sousa – A manutenção do controle das estruturas de poder de uma sociedade de classes antagônicas com elevadíssimo nível de desigualdade, como é o caso do Brasil, não é uma tarefa simples. Ao mesmo tempo em que precisam se empenhar para garantir a continuidade dos privilégios de uma minoria que não chega sequer a 10% do total da população, as classes dominantes dependem da anuência e do apoio de parcelas expressivas dos restantes 90% para não terem seus interesses afetados. Quando as crises chegam e os atritos da luta de classes se agudizam, os mentores dos interesses supremos do grande capital precisam recorrer a medidas que não se encontram dentro do arcabouço do liberalismo político. É quando entra em cena o fascismo, em suas diversas variedades. O avanço do bolsonarismo revela como igrejas neopentecostais operam como base ideológica e de mobilização popular do neofascismo no Brasil. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Brasil 247.

Daniela Kallas: O feminicídio não é imprevisível, é uma falha sistêmica

Por Marcelo Hailer – O Brasil encerrou setembro de 2025 com 1.025 mulheres assassinadas vítimas de feminicídio, segundo dados do Ministério da Justiça. Para a advogada e especialista em direitos humanos Daniela Kallas, esses números não representam tragédias imprevisíveis, mas o desfecho de ciclos prolongados de violência ignorados pelo Estado, marcados por falhas na prevenção, na proteção efetiva e na garantia de autonomia econômica das mulheres. Com uma trajetória que transita entre o direito, o ativismo humanitário e o investimento de impacto, Daniela Kallas construiu uma atuação reconhecida na defesa dos direitos humanos. Formada em Direito aos 21 anos, ela é especialista em Direito Internacional e Humanitário pela Sorbonne, na França, e possui mestrado em Direito Europeu e Internacional de Negócios, aliando formação acadêmica sólida a experiências práticas em contextos de extrema vulnerabilidade social. Na entrevista à Fórum, Daniela analisa por que o Brasil, mesmo contando com legislações avançadas de proteção às mulheres, segue registrando índices alarmantes de violência de gênero. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Fórum.

Ministério das Mulheres lança diretrizes para processos de medidas protetivas de urgência

O Ministério das Mulheres realizou o lançamento das Diretrizes Propostas para a Tramitação de Processos de Medidas Protetivas de Urgência, em evento no Palácio da Justiça, em Brasília (DF). A atividade reuniu autoridades e representantes do sistema de justiça e de organizações da sociedade civil que integram o Fórum Nacional Permanente de Diálogos com o Sistema de Justiça sobre a Lei Maria da Penha (FLMP), instância responsável pela elaboração das diretrizes. O documento construído em diálogo com instituições do sistema de justiça e sociedade civil busca dar mais uniformidade aos procedimentos e fortalecer o acesso à justiça para mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Leia a matéria completa. Fonte: Agência Patrícia Galvão.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

Boletim Eletrônico Nacional

Periodicidade: Mensal

EDITOR

Valdisio Fernandes

EQUIPE

Allan Oliveira, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Davino Nascimento, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Flávio Passos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Jeane Andrade, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lidia Matos, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Naira Silva, Patricia Jesus, Poliana Silva, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA – ANO XXI – EDIÇÃO Nº248 – DEZEMBRO 2025

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