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ANO XXII – EDIÇÃO Nº254 – MAIO 2026
Há 150 anos pena de morte do Brasil mirava os negros escravizados
[Última Pena de morte no Brasil 28.04.1876, Arquivo Nacional]
Por Ricardo Westin – Completaram-se no último mês de abril 150 anos da execução da última pena de morte no Brasil. O governo imperial aprovou em 1835 uma lei dedicada a punir exemplarmente os negros que matavam seus senhores, mas dom Pedro II decidiu abandoná-la em 1876.A pacata cidade de Pilar, na província de Alagoas, amanheceu tumultuada em 28 de abril de 1876. Calcula-se em 2 mil o público de curiosos, inclusive vindos das vilas vizinhas, que se aglomerou para assistir à execução do negro Francisco. O escravo fora condenado à forca por matar a pauladas e punhaladas um dos homens mais respeitados de Pilar e sua mulher. O assassino recorreu ao imperador dom Pedro II, rogando que a pena capital fosse comutada por uma punição mais branda, como a prisão perpétua. O monarca, poucos dias antes de partir para uma temporada fora do Brasil, assinou o despacho: não haveria clemência imperial. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Agência Senado.
Estudo de artefatos do Whydah Gally, contestam falácia sobre ouro da África Ocidental
Por Katherine Kornei – Um estudo publicado em 23 de março na revista Heritage Science revisita um dos episódios mais simbólicos da era da pirataria e do comércio atlântico nas Américas. A pesquisa analisa artefatos recuperados do naufrágio do Whydah Gally, localizado em 1984 na costa de Cape Cod, nos Estados Unidos. O navio, capturado em 1717 pelo pirata Samuel Bellamy, afundou durante uma tempestade ao largo de Massachusetts, levando consigo metais preciosos, bens comerciais e vestígios diretos do tráfico transatlântico. Hoje, com mais de 200 mil artefatos resgatados, o conjunto permite reavaliar não apenas práticas econômicas da época, mas também preconceitos históricos consolidados. Entre os achados, destacam-se mais de 300 peças de ouro associadas ao povo Akan, da África Ocidental, integrante de uma das principais redes comerciais da chamada “Costa do Ouro” e representa o maior acervo analisado em um contexto arqueológico bem datado até o momento. Leia a matéria completa. Fonte: Folha de São Paulo / The New York Times.
A Diferença entre proletariado e precariado
O conceito de proletariado, formulado por Karl Marx no século XIX, refere-se à classe trabalhadora que vende sua força de trabalho em troca de salário, sem possuir os meios de produção. Essa classe era vista como central na dinâmica do capitalismo industrial e como protagonista potencial de transformações sociais profundas. No entanto, a globalização, a financeirização da economia e o avanço tecnológico alteraram profundamente as relações de trabalho. O emprego formal, estável e protegido passou a dar lugar a formas mais flexíveis — e frequentemente mais precárias — de ocupação. A expressão “precariado” tem ganhado espaço no debate econômico e social contemporâneo para descrever uma nova realidade do mundo do trabalho, marcada pela instabilidade, pela perda de direitos e pela crescente insegurança. O termo surge como uma atualização crítica da clássica noção de “proletariado”, refletindo as profundas transformações do capitalismo nas últimas décadas. Criado a partir da combinação das palavras “precário” e “proletariado”, o conceito de precariado busca dar conta de um fenômeno que vai além da simples exploração do trabalho. Ele descreve uma condição estrutural de vulnerabilidade, na qual milhões de trabalhadores vivem sem garantias mínimas de renda, proteção social ou estabilidade. O termo precariado, popularizado por autores como Guy Standing, não é consensual. Alguns críticos argumentam que ele fragmenta a classe trabalhadora e obscurece a continuidade das relações de exploração capitalista. Para esses analistas, o precariado seria apenas uma nova forma de proletariado, adaptada às condições do capitalismo contemporâneo. Leia a matéria completa. Fonte: Redação Brasil 247.
Rumo a uma Bandung dos Povos
Por Brid Brennan, Gonzalo Berrón, Juliana Rodrigues de Senna e Sol Trumbo Vila – Há 70 anos, Conferência na Indonésia forjou ideia de Sul global. Hoje, inspira: diante da ordem neoliberal e avanço do fascismo, mais que reformar instituições multilaterais, é hora de construir alternativas. Em 2027, uma oportunidade se abre. Este documento evidencia a urgência de que todas as forças progressistas do Sul global se comprometam com um plano de ação coletivo ambicioso e emancipador para mudar a ordem mundial atual. O texto é o resultado de várias rodadas de consultas informais, na África, Ásia e América Latina, com movimentos sociais, sindicatos, acadêmicos ativistas e outras organizações da sociedade civil comprometidas com o multilateralismo. Apresentam-se aqui a análise e o raciocínio que fundamentam a criação de uma Frente do Sul Global (Parte I), seus desafios e oportunidades (Parte II), e sublinham-se alguns elementos para o desenvolvimento de uma estratégia mobilizadora global e comum (Parte III). Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras | Instituto Transnacional (TNI).
A história da ex-escrava Catarina Mina, no Brasil
Por Tainã Mansani – São Luís do Maranhão guarda a história intrigante de uma mulher trazida da África no século 19, que subverteu a mecânica da escravidão ao conquistar liberdade e enriquecer. Catarina Rosa Pereira de Jesus chegou ao Brasil como escrava da Costa da Mina, região do golfo da Guiné (daí o nome “Mina”). Foi quituteira, comerciante: de escrava de ganho a “mulher de negócios”. Comprou sua alforria e fez fortuna com o dinheiro do próprio trabalho, e, segundo dizem, dos favores prestados a comerciantes portugueses da Praia Grande (algo que a historiografia nunca provou). “Quando encontrei o inventário da Catarina Mina, fiquei surpresa. Essa mulher era riquíssima! O inventário, e depois o testamento, foram os documentos que mais me emocionaram durante as pesquisas sobre a vida dela”, contou à DW Brasil a historiadora Iraneide Soares da Silva, que estuda a vida da africana. Embora seja difícil precisar o valor dos seus bens, sabe-se que tinha muito – e o mistério sobre como ela alcançou tal feito intriga estudiosos até hoje. Datado de 1887 e hoje preservado no arquivo público do Tribunal de Justiça do Maranhão, o testamento da ex-escrava revela uma generosidade incomum entre os ricos da época. Mina distribuiu sobrados, casas, vilas e lotes entre comadres, figuras influentes do judiciário e do meio eclesiástico. Mas, acima de tudo, libertou seus escravos e lhes assegurou riqueza – algo raro, pois em geral esses eram repassados como bens. Os documentos mostram que Catarina Mina acumulou riqueza e criou uma rede de socialização e cooperação entre mulheres libertas durante a escravidão, explica a Iraineide Soares. Nos jornais da época há muitos a anúncios de fugas de mulheres que contavam com redes de apoio, pois, para fugir, precisavam de colaboração externa. De fato, até hoje circulam em São Luís histórias sobre a vida de Catarina Mina. Elas falam de uma personagem de caráter heroico, que comprava escravos para os libertar. Mas as pesquisas historiográficas revelam que ela também manteve escravos durante a vida. Leia a matéria completa. Fonte: Leia a matéria completa. Fonte: Deutsche Welle Brasil.
Brasil registra mais de 1 milhão de atendimentos por violência contra mulheres
Por Henrique Romanine – A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 registrou, ao longo de 2025, mais de 1 milhão de atendimentos em todo o país, indicando uma forte ampliação na procura pelo serviço. Os dados, divulgados pelo Ministério das Mulheres na quarta-feira (15), mostram que foram 1.088.900 registros no período, média próxima de 3 mil por dia e um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Do total de atendimentos, 155.111 se converteram em denúncias formais de violência contra mulheres, avanço de 17,4% na comparação anual. Na prática, o volume representa cerca de 425 casos denunciados diariamente. Além das denúncias, o canal também foi utilizado para pedidos de orientação sobre direitos, rede de proteção e políticas públicas. A maior parte das ocorrências segue concentrada no ambiente doméstico, que responde por quase 70% dos casos, evidenciando que a violência ainda se desenvolve, principalmente, dentro de casa. A própria vítima foi responsável por dois terços das denúncias, enquanto registros anônimos e relatos feitos por terceiros, como familiares e vizinhos, também tiveram participação relevante. Leia a matéria completa. Fonte: Brasil Fora da Caverna.
Socialismo após a IA
Por Evgeny Morozov – A Inteligência Artificial “Generativa” não é apenas uma palavra de marketing; ela nomeia uma instabilidade genuína. Para os socialistas, essa instabilidade coloca um desafio específico. E seus reflexos são familiares: regular as plataformas, tributar ganhos excepcionais (windfalls), nacionalizar as empresas líderes, integrar seus modelos a um aparato de planejamento. Mas, se o socialismo pretende ser mais do que o capitalismo com painéis de controle mais bonitos – se ele é realmente um projeto de refazer coletivamente a vida material e não apenas de redistribuir seus resultados – ele precisa responder a uma questão mais difícil: pode ele oferecer uma maneira melhor de viver com essa tecnologia do que o capitalismo oferece? Pode ele proporcionar uma forma distinta de vida que valha a pena ser desejada, em vez de apenas uma parcela mais justa daquilo que o capital já produziu? A proposta de Aaron Benanav para uma “economia multicriterial”, desenvolvida em dois longos1 ensaios na New Left Review, oferece um caso teste. Seu diagnóstico é que tanto o capitalismo quanto o socialismo de estado clássico são organizados em torno de uma otimização de “critério único”: o capitalismo em torno do lucro e o socialismo de estado em torno do produto bruto. Isso funcionou, de forma brutal, enquanto o aumento do PIB pôde servir como justificativa. Em uma era de estagnação, colapso ecológico e crise do cuidado, isso não funciona mais, pelo menos no Norte Global (infelizmente, as peculiaridades do Sul Global não figuram muito na análise de Benanav). Benanav deseja uma democracia econômica que leve a sério, desde o início, múltiplos objetivos incomensuráveis. Sustentabilidade ecológica, qualidade do trabalho, tempo livre e cuidado são tratados como bens distintos que não podem ser esmagados em um único índice. O equilíbrio entre eles é composto e recomposto por meio de escolhas políticas explícitas, em vez de ser descoberto por um mercado ou um algoritmo central. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Blog da Boitempo.
Um diálogo entre civilizações, por enquanto
Por Vijay Prashad – Durante alguns dos piores dias da guerra ilegal dos EUA/Israel contra o Irã, conversei com amigos que estavam nas áreas civis bombardeadas. Alguns são acadêmicos, outros poetas e artistas, alguns trabalham no governo, outros em instituições de diferentes tipos. Todos eles, independentemente de suas opiniões sobre o governo, permaneceram firmes e desafiadores. Ninguém sentia que seu mundo estivesse sob ameaça. Mantiveram-se inabaláveis, sua coragem emanando de uma imensa crença na resiliência da civilização iraniana. A maneira como o Irã conseguiu resistir ao Ocidente tornou-se motivo de admiração em todo o mundo anteriormente colonizado. De onde vem essa altivez? O pensamento marxista e de libertação nacional tem uma história muito complexa com o conceito de “civilização”. O marxismo clássico o rejeitava, pois poderia apagar as divisões sociais sob um manto de homogeneidade cultural e, portanto, negar a necessidade da luta de classes. Mas, à medida que o marxismo se tornou uma estrutura crucial nas grandes lutas anticoloniais do período pós-Guerra Mundial Antifascista, a ideia de civilização retornou com um significado diferente. Para quem não vem de sociedades colonizadas, é difícil compreender o poder de afirmações como “defesa da pátria” e da ideia de herança civilizacional. Os danos causados pelo colonialismo a tantas formações sociais são imensos. O colonialismo rouba riquezas e as reinveste em outros lugares para o desenvolvimento de outros povos; diminui as culturas dos povos colonizados e, muitas vezes, nega-lhes sua própria língua e seu próprio senso de missão histórica. É por isso que tantas pessoas no Sul Global se maravilham com o fato de o Irã ter conseguido resistir aos Estados Unidos e vencer o conflito atual em termos estratégicos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.
EXPEDIENTE
MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Publicação digital online
Periodicidade: Mensal
EDITOR
Valdisio Fernandes
EQUIPE
Allan Oliveira, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Davino Nascimento, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Flávio Passos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Jeane Andrade, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lidia Matos, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Naira Silva, Patricia Jesus, Poliana Silva, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.




