Boletim Mensal do Instituto Búzios – Mídia Negra e Feminista

 

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº210 – setembro 2022

 

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Da política identitária à mobilização por direitos efetivamente universais

Por

Entrevista com Celia Kerstenetzky, por Ricardo Machado – Uma das armadilhas do neoliberalismo é sua plasticidade e capacidade de ocupar espaços que, à primeira vista, parecem se opor a ele. Ainda que no fundo as lutas chamadas “identitárias” proponham reformas e debates de maior complexidade e profundidade, às vezes, o que parece é que há um ataque às políticas universalistas. “Entendo que, no fundo, as pautas identitárias têm um caráter de reivindicação por efetiva universalização e se opõem a uma universalização restrita a um conjunto de bens públicos de segunda categoria ou que não enxerga diferentes situações, como a de grupos persistentemente discriminados. Os exemplos históricos e contemporâneos de lutas identitárias cujos dividendos positivos foram compartilhados por toda a sociedade são muitos. “Movimentos de mulheres em vários países, Brasil incluído, ou a luta por direitos territoriais dos povos indígenas é absolutamente central para a preservação da natureza e mitigação da emergência climática, o que afeta um universal ainda mais amplo, planetário!”, explica a professora e pesquisadora Celia Kerstenetzky. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos.

Uma teoria feminista da violência – por uma política antirracista da proteção

Por Jéssica Santos – Ao ler Uma teoria feminista da violência – por uma política antirracista da proteção, da cientista política francesa Françoise Vergès, publicado no Brasil pela editora ubu, fica claro que não só a violência é um dado natural como tem a participação do Estado com seu sistema de repressão policial, penal e judiciário, que servem de estrutura ao patriarcado e ao capitalismo. O fato de haver corpos que existem para ser protegidos e outros para serem mortos é uma verdade escandalosa que deveria nos deixar envergonhados por nossa inércia nessa situação. Mas estamos em uma dimensão do multiverso em que a violência é tão natural quanto o ar que respiramos. Diante de mais um corpo no chão, levanta-se a dúvida de que será que aquela pessoa era inocente mesmo, olvidando-se de que, em termos legais, não há pena de morte no Brasil – a depender da cor da pele e classe social, como provam as absolvições de policiais noticiadas há algumas semanas. Leia a resenha na íntegra. Fonte: Ponte Jornalismo.

Guerra às drogas é álibi para moer gente preta

Por Pablo Nunes – Na guerra às drogas, bala da polícia tem alvos definidos: em 2019, 77% das vítimas de mortes violentas eram negras. “Repensar a ‘guerra às drogas’ é central para oferecer aos jovens negros algo mais que morte e prisão”, analisa Pablo Nunes. A Rede de Observatórios da Segurança monitora há mais de dois anos todas as ações de policiamento através de notícias de imprensa, relatos de redes sociais e postagens de blogs e contas oficiais das polícias nas redes sociais. O relatório “Raio X das ações de policiamento”, publicado nesse mês de agosto, apresenta um cenário desolador: nos cinco estados analisados, os 20.243 registros de ações de policiamento revelam que as polícias seguem investindo quase que exclusivamente em operações policiais em detrimento de ações de inteligência com foco na apreensão de armas e munições. Número de operações policiais cresceu às vésperas da campanha eleitoral; repensar essa política é central para oferecer aos jovens negros algo mais que morte e prisão. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Piauí.

A mulher negra e o brasil que não sabe elogiar

Por Bárbara Ferrito – Para além do salário, esse é o grupo mais afetado pela precarização das relações de trabalho. Diante das eleições que se avizinham, a crise de empregos sem dúvida será colocada como principal questão da maioria das pautas. Mas a pergunta que não pode faltar é: de que trabalho estamos falando? A pergunta parece boba, mas não é. O discurso da criação de empregos a todo custo tem gerado a falácia da atualização da legislação trabalhista, precarização e informalidade. Voltamos a ver crescer os números do trabalho infantil. São famílias cujos adultos não conseguem sustentar a si e aos seus. É a miséria chegando ao trabalhador, apesar das pesadas jornadas e condições precárias. É a pobreza no trabalho. Se pensarmos que isso tem acontecido com o homem branco, modelo da norma e estrutura social, o que dizer da situação da mulher negra? Na base da pirâmide, a mulher negra sofre as intersecções de raça, gênero e, muitas vezes, de classe, com um padrão social que a coloca como chefe de uma família monoparental. Além dessas dificuldades, e talvez por causa delas, recebem em média 43,5% do salário dos homens brancos[1]. Além desse padrão remuneratório inferior, são vítimas de assédios sexuais e agressões decorrentes da raça. Até o cabelo da mulher negra se torna questão no ambiente de trabalho, principalmente quando se choca com o dress code da empresa. Essa crise nos alcança a partir do momento em que o trabalho e o trabalhador são desumanizados e transformados em variáveis no cálculo econômico. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Piauí.

A Tenda das Candidatas: Campanha “A Conta Não Fecha!”

A Tenda das Candidatas acaba de lançar uma nova campanha, intitulada “A Conta Não Fecha!”. Em parceria com a Gênero e Número, a primeira organização de mídia do Brasil orientada por dados para qualificar o debate sobre equidade de gênero e raça, a campanha visa promover a reflexão e combater a sub-representação e o subfinanciamento de mulheres na política. O financiamento eleitoral será um dos principais focos da campanha. A distribuição mais igualitária do fundo eleitoral tende a produzir uma política mais justa e mais representativa. Por isso, foi lançado um guia prático, para auxiliar as candidatas nesse momento chave, o da negociação de recursos com o partido. Leia a matéria completa.

O feminismo liberal é inimigo da classe trabalhadora

Entrevista com Nancy Fraser | Tradução: Flávio Gonçalves – Os anos mais recentes têm testemunhado um surto no movimento das mulheres trabalhadoras, desde impressionantes protestos contra a violência doméstica e o assédio no local de trabalho até greves maciças que marcaram o Dia da Mulher em Espanha, na Polónia, Argentina e outros lugares. Estas ações apontam a via para um feminismo anti-sistémico, indo para lá da variante liberal e individualista promovida por gente como Hillary Clinton, Kamala Harris e etc. Uma das expressões desta nova onda é o popular manifesto Feminismo para os 99%: um Manifesto (Boitempo, 2019). Realça que o feminismo não é uma alternativa à luta de classes, representando sim uma frente decisiva na luta por um mundo livre do capitalismo e de todas as formas de opressão. Nancy Fraser é coautora do manifesto juntamente com Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya. Ela conversou com Rebeca Martínez sobre o livro, da sua crítica ao dito “neoliberalismo progressista”, que ela teoriza no livro O velho está morrendo e o novo não pode nascer (Autonomia Literária, 2020), e da sua compreensão de um feminismo que eleva as vozes das mulheres racializadas e da classe trabalhadora acima e ao centro. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Jacobin Brasil.

Pax neoliberalia e violência global contra as mulheres

Por Guilherme Arruda – Em lançamento da Sobinfluencia, Pax Neoliberalia, novo livro da pesquisadora e professora da Universidade Paris 8 Jules Falquet, estuda o fenômeno da reorganização global da violência, que atinge em especial as mulheres, como condição para a instalação do neoliberalismo. A autora expõe como neoliberalismo usa violências contra a mulher – do feminicídio à opressão doméstica – para se reorganizar. Ligada à corrente do feminismo materialista, Falquet apresenta quatro expressões dessa dinâmica em diferentes partes do mundo como janelas para vislumbrar os caminhos que a reconfiguração da violência toma nessa nova ordem global. Leia a introdução da obra. Fonte: Outras Palavras.

[Pós 11 de agosto] Balanço e perspectivas

Por Jean Marc Von Der Weid – Não acho que a jornada do dia 11 barrou o golpe. Apenas tornou-o mais difícil. Digo isso porque os agentes deste golpe (paremos de comparar com 1964, por favor) são as FFAA, as polícias militares, os bandos fascistóides armados e organizados nos Clubes de Tiro e o que já se convencionou de chamar de “gado”, as bases fanáticas do bolsonarismo, agitadas por uma parcela minoritária, mas muito ativa das igrejas protestantes e, ainda menor, da igreja católica. Podemos esperar ameaças e arreganhos da generalada (incluindo nesta expressão os oficiais superiores de todas as forças) para adiar as eleições ou anulá-las no caso da perspectiva de derrota ou a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições, mas se não conseguirem coagir ou comprar o Congresso, o passo fatal de fechar Câmara e Senado é bem mais difícil de ser dado. É claro que os 6 a 7 mil oficiais empregados pelo governo, alguns deles com salários milionários, vão agir sobre seus pares da ativa. Podemos contar com a ativa atuação da mídia convencional para denunciar a violência e os abusos e isto ajuda a isolar o bolsonarismo. Isto contribui para criar um clima político contra o golpe, mas não é decisivo. A oposição vai ter que sair dos embates virtuais para ocupar as ruas e praças. Leia o artigo na íntegra. Fonte: A Terra é Redonda.

A grilagem em Alter do Chão, o “Caribe Amazônico”

Por Maria Alves, Amanda Lima e Mário Rodrigues, – A Amazônia Real investigou que parte significativa dos 1.267,75 hectares de Alter do Chão que foram queimados em 2019 passou a ser loteada desde então. A venda de lotes ocorre de forma escancarada em redes sociais ou por meio de cartazes espalhados pela PA-457, estrada que liga Santarém à turística vila. Esta história, dividida em duas reportagens, revela a existência de uma rede de grilagem de terras públicas que avança em ritmo acelerado sobre a mesma área incendiada que foi palco da criminalização de brigadistas que lutavam para preservar Alter do Chão. A grilagem no “Caribe Amazônico” envolve uma extensa rede de atores: grileiros, cartórios, órgãos públicos, empresas de georreferenciamento, advogados e empresários do ramo imobiliário. Leia a matéria completa. Fonte: Amazônia Real.

Cimi: Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2022

O relatório registrou aumento em 15 das 19 categorias de violência contra indígenas sistematizadas pela publicação, em relação ao ano anterior. 176 indígenas foram assassinados no Brasil no último ano. Além disso, foram registrados 305 casos de invasão, exploração ilegal ou danos a Terras Indígenas. São 16% mais casos que o número de 2020 (263), e quase três vezes mais que os ocorridos em 2018, mostrando um aumento vertiginoso na violência contra as Terras Indígenas. Foram 226 TIs afetadas em 22 estados do país! Leia a matéria completa. Fonte: Projeto Colabora.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

Boletim Eletrônico Nacional

Periodicidade: Mensal

EDITOR

Valdisio Fernandes

EQUIPE

Aderaldo Gil, Allan Oliveira, Aline Alsan, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Keu Sousa, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Patricia Jesus, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº 210 – SETEMBRO 2022

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