Boletim Mensal do Instituto Búzios – Mídia Negra e Feminista

 

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

ANO XVI – EDIÇÃO Nº193 – ABRIL 202I

 

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O Genocídio indígena atual

Por Luiz Eloy Terena e Deborah Duprat – Negativa ou omissão deliberadas na demarcação das terras indígenas configura crime de genocídio. A América, antes de sua invasão, era idealmente pensada como um espaço quase sobrenatural, à margem do conhecimento, uma vez que as fronteiras do mundo coincidiam com as fronteiras do conhecimento. A concepção dos povos originários da América como inferiores e a violência do projeto colonial, com morte, desterritorialização e captura de modos de vida, vão alimentar, em larga medida, as teorias raciais do século XIX e a própria formação dos Estados nacionais, com a noção de homogeneidade que lhe é correlata. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jota.

O movimento negro na resistência à ditadura militar brasileira

A luta dos negros brasileiros durante a ditadura pode ser pensada em dois campos que, por sua vez, se conectavam: o cultural e o político. No campo cultural, a valorização do negro dentro da cultura brasileira começou a desenvolver um espaço próprio. As velhas teorias da mestiçagem e a ideologia da “democracia racial” começaram a ser duramente criticadas por intelectuais, artistas e agitadores culturais. No mundo acadêmico, sociólogos como Florestan Fernandes desenvolveram críticas sofisticadas e aprofundadas à ideia de “democracia racial”, demonstrando como os negros foram integrados à sociedade industrial e urbana, com a manutenção de uma situação de dupla exclusão, social e racial. A “consciência negra”, se adensou nos anos 1960 e 1970, influenciada, inclusive, pela luta dos povos africanos contra as suas metrópoles, pela luta contra o apartheid racial na África do Sul e pela luta dos negros estadunidenses por direitos civis. Leia a matéria completa.

A serviço do punitivismo, do policiamento preditivo e do racismo estrutural

Por Paulo Victor Melo – Muralha Digital; Cercamento eletrônico da cidade; City Câmeras; De Olho na Rua. Com esses e outros nomes, prefeitos de capitais brasileiras, eleitos ou reeleitos em novembro de 2020, batizaram programas e ações na área da segurança pública que colocam as tecnologias de informação e comunicação a serviço de uma política vigilantista, de segregação e controle. Não desconsiderando as diversas gradações das propostas, o conjunto dos programas governamentais e a pulverização partidária desses gestores materializam a utilização das tecnologias de informação e comunicação como instrumentos a serviço do policiamento preditivo, que pode ser resumido como uma prática de segurança baseada na indicação de futuras cenas criminosas, adotada com base em dados criminais passados ou em características “suspeitas”. “O longo compromisso racista da sociedade brasileira é mantido por uma estratificação do respeito aos direitos humanos, onde a interseção de negritude e pobreza cria grupos preferenciais que são alvos constantes de vigilância e da violência estatal – efetiva ou sempre potencial”, ressalta Tarcízio Silva. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Alessandra Devulsky: ‘O colorismo é o braço articulado do racismo’

“O colorismo é, basicamente, um conceito, uma categoria, uma prática, mas sobretudo é uma ideologia na qual hierarquizamos as pessoas negras de acordo com o fenótipo que têm”, explica ela, que é autora do recém-lançado Colorismo, 9º título da coleção Feminismos Plurais, organizada pela filósofa Djamila Ribeiro. Superar essa dicotomia, avalia, pode fortalecer a luta antirracista — especialmente no Brasil, onde o assunto ainda é motivo de muita polêmica e mal-entendido. E compreender suas raízes históricas é fundamental para a criação de políticas públicas eficazes, que deem conta da complexidade do tema, a partir do reconhecimento da questão racial como “algo absolutamente historicizado, dependente da forma como a como a História vai moldando as culturas e as sociedades”. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Carta Capital.

20 anos da Conferência Mundial de Durban, Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata

Em 2001, a Organização Nações Unidas organizou a Conferência na Conferência Mundial das Nações Unidas de 2001 contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância, ocorrida de 31 de agosto e 8 de setembro em Durban, na África do Sul. Na ocasião, foram estabelecidas a Declaração e Programa de Ação de Durban, documentos que instituem a ação da comunidade internacional para combater o racismo, adotado por consenso. É uma agenda inovadora e orientada para a ação para combater todas as formas de racismo e discriminação racial. A conferência contou com mais de 16 mil participantes de 173 países. Conferência de Durban, O que foi e como impactou a vida da população negra? A professora de Direito, Tainan Guimarães, explica. Leia a matéria completa. Fonte: UNFPA.

O que faltou dizer na Carta dos Ricos

Por Maria Regina Paiva Duarte – Que ótimo ver banqueiros, empresários e economistas de mercado incomodados com delírios de Bolsonaro. Que pena — e que emblemático — terem esquecido a luta contra a desigualdade e, em especial, a tributação dos super-ricos… Em carta aberta à sociedade, ao governo (e ao mercado), um grupo de mais de 1.500 pessoas, entre empresários, economistas, acadêmicos, ex-ministros, ex-presidentes do Banco Central e banqueiros, exigem respeito. Intitulado “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo – carta aberta à sociedade referente a medidas de combate à pandemia”. A carta levou tempo e quase 300 mil mortes para essa reação. Observemos: antes mesmo da pandemia, o Teto de Gastos, defendido por muitos signatários da carta, já fazia seus estragos. Retirar recursos da saúde e educação e limitar seus gastos, prejudica a população que mais necessita dos recursos e do atendimento do Estado. Não houve carta na ocasião! Nem durante os efeitos desta limitação de recursos acentuaram, contabilizando desemprego e pobreza. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

Já passou da hora de o Congresso dos EUA desmilitarizar permanentemente a polícia

Por Hank Johnson e Yasmine Taeb | Tradução de Isabela Palhares – Nossas comunidades não querem simplesmente voltar para a era Obama. Não queremos que as pessoas vivam com medo em seus próprios bairros. Nos meses após o assassinato de George Floyd, as cenas muito familiares de uma resposta militarizada a protestantes pacíficos foram possíveis por causa de um programa obscuro do Pentágono que afunilou bilhões de dólares em armas de guerra para agências de segurança domésticas. Nós dois estivemos trabalhando para encerrar essas transferências de equipamento militar desde que o nível do problema se tornou mais evidente em 2014 na repercussão do assassinato de Michael Brown em Ferguson, Missouri, pela polícia. Nos últimos anos, a transferência de armamento militar em excesso dos campos de batalha do Iraque e do Afeganistão para as ruas dos EUA prosperou. A militarização da força policial doméstica perpetua o racismo institucionalizado, a islamofobia e a xenofobia e contribui com a manutenção de uma sociedade na qual as vidas das pessoas negras e mestiças não importam. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Carta Maior | The Nation.

A história da Lei Uma Gota de Sangue

Entenda como a lei Estadunidense, que considerava filhos e netos de negros como pessoas de cor, deu carta branca aos senhores de escravos para continuar estuprando cativas. A One Drop Rule (Lei da Uma Gota de Sangue) foi uma legislação adotada por estados sulistas, dos Estados Unidos, para definir, legalmente, quem era negro. A regra especificava que se uma pessoa, mesmo que fosse da cor branca, tivesse algum ancestral negro, seria considerada de cor, o que proporcionava o mesmo tratamento que os negros recebiam pelo estado e população racista. Para criar tal lei, os legisladores norte-americanos se basearam no funcionamento legal do sistema neocolonial inglês, vigente durante o período do neocolonialismo, fase de exploração da Africa por países Europeus. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Iconografia da História.

Grada Kilomba: a desmantelar o poder

Por Juliana Domingos de Lima – Grada Kilomba fala sobre caminhos para subverter uma história colonial de 600 anos. Entre suas preocupações centrais está a continuidade da violência colonial por meio do racismo, tema do livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, lançado no Brasil em 2019 e livro mais vendido na Flip daquele ano. Mas a produção da artista vai além de expor as mazelas da história colonial e busca desmantelar, revisar e recontar essa história. É quase impossível trabalhar com qualquer disciplina ou falar numa linguagem, com um vocabulário que não esteja ancorado na história colonial, que é uma história de 600 anos. E que cria uma hierarquia entre humanidades, entre os vários corpos humanos, tornando certos corpos os verdadeiros representantes da condição humana, enquanto outros são marginalizados e colocados numa plataforma sub-humana. Leia a matéria completa. Fonte: Ecoa Uol.

Reflorestar o pensamento: a saída feminista é coletiva e anticapitalista

“A transformação só vem a partir do coletivo com consciência política e ecológica. Precisamos de coragem para romper com o neoliberalismo, empatia e sensibilidade para reflorestar o mundo, começando por reflorestar o pensamento”. Com essa fala Sonia Guajajara fechou o debate “Feminismo, comuns e ecossocialismo”, ao lado da autora Silvia Federici e da mediadora Bruna Della Torre. A iniciativa aconteceu na primeira semana do evento “Feminismo para os 99%” promovido pela editora Boitempo. A conversa teve como foco a importância da expansão da luta feminista por meio da união de pautas da nossa atualidade, como a causa ambiental e indígena. Leia a matéria completa. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Entrevista: Silvia Federici

Silvia Federici lança agora um novo livro pela Boitempo, “O patriarcado do salário – notas sobre Marx, gênero e feminismo” que traz uma série de artigos sobre como o trabalho não remunerado das mulheres – como o doméstico e o de cuidados com a reprodução – teve e tem um papel importante na consolidação e na sustentação do sistema capitalista. Silvia também reivindica espaço para o que chama de “trabalho reprodutivo” nas pautas da esquerda como mostra esse trecho do livro: “De Lênin a Gramsci, toda a tradição da esquerda concordou com a ‘marginalidade’ do trabalho doméstico para a reprodução do capital e com a marginalidade da dona de casa para a luta revolucionária. Para a esquerda, na condição de donas de casa, as mulheres não sofrem por causa da evolução capitalista, mas pela ausência dela. Nosso problema, ao que parece, é que o capital não organizou nossas cozinhas e nossos quartos, o que gera uma dupla consequência: a de que nós aparentemente trabalhamos em um estágio pré-capitalista e a de que qualquer coisa que fazemos nesses espaços é irrelevante para a transformação social. Pela lógica, se o trabalho doméstico é externo ao capital, nossa luta nunca causará sua derrocada”. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Agência Pública.

Ecossocialismo: utópico e científico

Por Tim Hayward | tradução de Lívia Maria Vieira – Uma das tarefas intelectuais mais urgentes de nosso tempo é entender as implicações da ecologia na teoria social e política. Dado que a degradação ambiental está de modo crescente debilitando as bases biológicas (e em alguns casos psicológicas) da vida social humana, é evidente que nenhuma teoria social pode continuar ignorando ou abstraindo das condições naturais de sua existência e reprodução. É a fortiori o caso que a teoria e prática socialista não pode ignorar nem a relação entre devastação ecológica e deterioração da qualidade da vida humana, nem, em particular, sua incidência – como isso atinge com mais força os que já sofrem a maior exploração econômica. Agora, mais do que nunca, a exploração da natureza está de mãos dadas com a exploração dos humanos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: LavraPalavra.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

Boletim Eletrônico Nacional

Periodicidade: Mensal

EDITOR

Valdisio Fernandes

EQUIPE

Aderaldo Gil, Allan Oliveira, Aline Alsan, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Eva Bahia, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Bandeira, Keu Sousa, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Patricia Jesus, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.

ANO XVI – EDIÇÃO Nº193 – ABRIL 202I

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