Boletim Mensal do Instituto Búzios – Mídia Negra e Feminista

 

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº206 – MAIO 2022

 

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Movimento Negro: as frentes divergentes

Por Guilherme Henrique – O movimento negro no Brasil tem duas vertentes dominantes: uma mais liberal, outra mais à esquerda. Uma quer se impor à sociedade tal como ela é, outra quer transformá-la de baixo para cima. A matéria explica o que há por trás dessa divergência – e seu impacto nos rumos do movimento negro. Celso Athayde junto com MV Bill e Nega Gizza criaram na virada dos anos 2000, a Central Única das Favelas, uma das entidades que representam a tendência liberal do movimento. A organização promove ações culturais e de inclusão social nas regiões marginalizadas do Rio. A entidade se expandiu enormemente desde então, com ramificações em todo o país e no exterior. Em seu site, diz que suas ações já impactaram 15 milhões de pessoas nas favelas brasileiras. Athayde costuma preferir o caminho da conciliação ao do confronto e afirma que não tem ojeriza ao capitalismo. Já declarou que a Cufa foi criada para ser uma organização com fins lucrativos e que a entidade “sempre deu lucro”. Na manhã do dia 1º de dezembro de 2021 foi realizado o encontro nacional Enquanto Houver Racismo Não Haverá Democracia, promovido pela Coalizão Negra por Direitos. Durante três dias de debates, cerca de duzentas pessoas participaram das reuniões cujo objetivo central foi formular estratégias para as próximas eleições. Criada em 2019 em São Paulo, a Coalizão é hoje uma das mais influentes organizações sociais do país. Reúne cerca de 250 entidades de defesa de direitos das pessoas negras, todas alinhadas à esquerda e empenhadas na luta contra o racismo e no aumento da participação política dos negros. O dia 19 de novembro de 2020 é uma data decisiva para entender alguns dilemas do movimento negro brasileiro. Nesse dia, João Alberto Freitas, um homem negro de 40 anos, foi agredido e asfixiado até a morte por seguranças da Vector, uma empresa que prestava serviços em uma unidade da rede de supermercados Carrefour em Porto Alegre. O crime – ocorrido na véspera do feriado da Consciência Negra – mudou bastante a dinâmica das organizações negras. “Foi um divisor de águas”, ressalta Douglas Belchior. Após a morte de Freitas, a Coalizão Negra por Direitos, além de prestar apoio à família, pilotou uma série de protestos nas capitais. No dia 23 de novembro, o Carrefour havia perdido 2,2 bilhões de reais em valor de mercado, além de acumular prejuízos por causa de depredações em suas lojas. Dois dias depois, a empresa anunciou a criação de um comitê externo formado por pessoas negras para auxiliá-la no combate ao racismo. Para esse comitê convidou, entre outros, Celso Athayde, Silvio Almeida, Rachel Maia, ex-diretora executiva da Lacoste no Brasil, e Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, que faz pesquisas estatísticas. Em 2 de dezembro, a Coalizão divulgou uma nota criticando a iniciativa. Leia a matéria completa. Fonte: Revista Piauí.

Frantz Fanon e as resistências antirracistas no Brasil

Por Deivison Mendes Faustino – Em entrevista a Alessandra Monterastelli, Guilherme Arruda e Ana Sarabia, autor de obra sobre o filósofo antirracista aponta: ele inspirou intelectuais e movimentos contra a ditadura. Agora, é retomado pela juventude negra que busca desvelar as marcas do colonialismo na subjetividade — e construir novas insurgências. Deivison Faustino lança pela editora UBU, o livro “Frantz Fanon e as encruzilhadas – Teoria, política e subjetividade”. Marxismo, pan-africanismo, psicanálise. Utilizando-se de múltiplas bagagens, o filósofo e psiquiatra caribenho foi imortalizado pela originalidade de seu pensamento e pelas suas críticas astutas, que alteraram o rumo das discussões sobre racismo, colonização e classe na segunda metade do século XX. Sua obra influenciou amplamente intelectuais, movimentos sociais e revolucionários. Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o enfraquecimento da pauta terceiro-mundista, as análises de Fanon saíram de cena por um longo período. Na virada do século, as reivindicações do Movimento Negro por políticas públicas de acesso à educação alteraram essa configuração: a ampliação da presença da população negra nas Universidades resultou no aumento da demanda por estudos antirracistas e autores negros. É nesse momento, segundo Faustino, que a obra de Fanon retorna a centralidade das discussões sobre racismo e classe no Brasil. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

A esperada revisão da Lei 12.711/12 e suas principais discussões

Por Vanessa Silva e Eliabe Figueiredo – Na terceira e última reportagem da série sobre a Lei de Cotas, o Conexão UFRJ reflete sobre os possíveis caminhos de uma das maiores políticas de ação afirmativa do país. A resolução no STF sobre a constitucionalidade das cotas raciais foi realizada em 2012, quando os ministros decidiram por unanimidade que a política de cotas raciais é compatível com a Constituição de 1988. O estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, expõe diversas faces da desigualdade racial no país. Um levantamento recente do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), em parceria com o Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (GEMAA), mostra que tramitam hoje no Congresso Nacional cerca de 30 projetos que têm relação com a revisão da Lei 12.711/12. Das propostas, 12 são favoráveis à lei e 12 são contrárias ‒ no intuito de cancelar ou restringir seu alcance. Leia a matéria completa. Fonte: Conexão UFRJ.

Revitimização: mulheres negras são as mais constrangidas em delegacias

Por Caroline Nunes – Dados comprovam a violência e violações de direitos humanos em delegacias de polícia de todo o Brasil. Os ocupantes de cargo de delegado são apontados como suspeitos de maltratar as denunciantes. De janeiro a março de 2021, ocorreram 92 denúncias sobre o assunto. Já no mesmo período de 2022, o número cresceu para 119, sendo as mulheres negras as principais vítimas. A advogada e pesquisadora do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), Cátia Kim, pontua que o aumento de casos de violência e violações de direitos humanos em delegacias de polícia demonstra que a equipe – que deveria acolher as vítimas – está despreparada para compreender a complexididade das denúncias, principalmente no que tange gênero, classe social e raça. Às vezes, de acordo com a jurista, até mesmo testemunhas da violência são vítimas, causando medo em testemunhar a favor da pessoa agredida. A advogada e especialista Fayda Belo explica que caso uma pessoa seja vítima de violência em delegacias de polícia é necessário denunciar este caso à corregedoria e também ao Ministério Público da região que a vítima reside. “Importante ressaltar que essa violência institucional é crime e está elencada como tal na Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13869/19), em seu artigo 15-A, na qual proíbe que que as vítimas sejam submetidas a procedimentos invasivos que a fazem reviver a situação de violência ou que gerem sofrimento, podendo esse servidor público receber uma pena de até um ano de detenção”, explica. Leia a matéria completa. Fonte: Terra.

Pesquisa: Percepções sobre os povos indígenas são conflitantes

Diferença entre grupos engajados e não engajados mostra grande desinformação sobre os indígenas no Brasil. Qual a opinião dos brasileiros não indígenas sobre a realidade dos povos indígenas? Foi essa a pergunta que norteou uma pesquisa conduzida ao longo de 2021 e lançada em abril deste ano. Coordenada pela pesquisadora Cristiane Fontes, da Amoreira Comunicação, o projeto contou com análise documental, 350 entrevistas em profundidade com diferentes segmentos da sociedade brasileira e mapeamento sobre a evolução das narrativas sobre povos tradicionais nas redes sociais onde foram analisados 9,7 milhões de posts. A íntegra do estudo está disponível no site Narrativas Ancestrais, Presente do Futuro. Leia a matéria completa. Fonte: Catarinas.

Txai Suruí: Floresta em pé, fascismo no chão

Por Hugo Albuquerque e Nathália Urban – A luta dos povos indígenas e originários é uma luta que não começou hoje e não terminará amanhã. Uma luta contínua que se iniciou com a chegada das caravelas dos colonizadores e é travada até hoje – sob a falsa democracia que se esconde o braço pesado do Estado. Natália Urban e Hugo Albuquerque, da Jacobin Brasil, conversaram com Txai Suruí acerca da história, dos desafios e perspectivas da resistência indígena brasileira e latino-americana. Txai é ativista indígena da etnia Paiter Suruí, coordenadora do Movimento da Juventude Indígena, e foi a primeira brasileira a fazer uma fala de abertura na COP 26. Por ter feito uma fala contundente denunciando a devastação da natureza e o genocídio do seu povo no Brasil. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Jacobin Brasil.

No campo, retrato da política de morte de Bolsonaro

Por Jeniffer Mendonça – Relatório aponta: violência é a maior em décadas. Em três anos, foram 5.725 conflitos, a maioria nas fronteiras de expansão do agronegócio. Assassinatos explodiram após o golpe de 2016. Indígenas e quilombolas são os principais alvos. A 36ª edição do relatório sobre conflitos no campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), lançado no dia 18 de abril, revela que em três anos o governo Bolsonaro computou 5.725 conflitos no campo, o maior número de todos os governos em toda a série histórica, iniciada em 1985. O documento relaciona a violência diretamente à atuação do agronegócio, ao apontar que os locais dos conflitos “indicam o front da expansão/invasão do agronegócio, geralmente tendo à frente madeireiros, grileiros e pistoleiros que, não raro, contam com a negligência nada desinteressada de autoridades locais, estaduais e federais”. Leia a matéria completa. Fonte: Combate Racismo Ambiental | Ponte Jornalismo.

Os desafios do continente latino-americano

Por José Luís Fiori – Ao começar a terceira década do século XXI, a esquerda e as forças progressistas estão sendo chamadas de volta ao governo de vários países importantes da América Latina. O caso mais recente é o do Chile, com a vitória e a posse do jovem presidente Gabriel Boric, no dia 11 de março de 2022. Mas antes de Boric, as forças progressistas latino-americanas já haviam vencido as eleições e assumido o governo no México, Argentina, Bolívia, Peru e em Honduras. E o mais provável é que essa tendência se confirme no Brasil, e até mesmo na Colômbia, nas próximas eleições presidenciais neste ano. O fracasso da nova rodada da política econômica ultraliberal nos países latino-americanos é que explica em grande medida a volta da esquerda ao governo de alguns dos principais países do continente latino-americano. Uma boa hora para reler, analisar e repensar a história de longo prazo da esquerda e de suas experiências de governo na América Latina. Leia o artigo na íntegra. Fonte: A Terra é Redonda.

Charles Chesnutt: o humor no combate a supremacia branca

Nas décadas após a Guerra Civil, escritores negros que buscavam retratar fielmente os horrores da escravidão tiveram que enfrentar leitores cujas visões de mundo eram coloridas pelo racismo, bem como uma faixa inteira do país ansiosa por papel sobre o passado. Charles Chesnutt era um desses escritores. Forçado a trabalhar com editores céticos e dentro dos limites das formas populares, Chesnutt, no entanto, trabalhou para iluminar o legado da escravidão. Chesnutt escreveu uma contranarrativa subversiva, usando o humor para furar os mitos nostálgicos do Sul e expor as contradições de uma sociedade racista. Leia a matéria completa. Fonte: The Conversation.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

Boletim Eletrônico Nacional

Periodicidade: Mensal

EDITOR

Valdisio Fernandes

EQUIPE

Aderaldo Gil, Allan Oliveira, Aline Alsan, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Keu Sousa, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Patricia Jesus, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº 206 –MAIO 2022

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