Boletim Mensal do Instituto Búzios – Mídia Negra e Feminista

 

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº215 – FEVEREIRO 2023

 

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Autoetnografia e a Experiência Negra – A “escrita de si” em W. E. B. Du Bois

Por Silvio Matheus Alves Santos – W. E. B. Du Bois e pesquisadores da EAS (Escola de Atlanta de Sociologia) promoveram avanços em algumas áreas da pesquisa sociológica: um deles, se relaciona com as bases do método da autoetnografia. Mesmo já sendo identificado em “Almas da Gente Negra”, vai ser em “Dusk of Dawn”, de 1940, que Du Bois aos 72 anos analisa o lugar da raça no mundo moderno a partir da verificação da sua própria história de vida. Com isso ele almejou não só investigar toda a estrutura social que inferiorizava e desumanizava a população negra como também contrapor e suplantar toda a formação de uma “pseudociência sociológica” repleta de generalizações superficiais, homogeneizantes e de bases biológicas. A partir disso, convido a refletirmos sobre as nossas fundamentações de pesquisa empírica e sociológica no Brasil, especificamente, em como os nossos estudos de relações raciais se relacionam com metodologias qualitativas de base “auto-bio-etno-gráfica”. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Nexo.

USP: Yanomamis: o extermínio de um povo | Justiça para o povo Yanomami

Por Eliane Brum – O genocídio Yanomami, que Sumaúma denunciou em 20 de janeiro, precisa ser chamado do que é: genocídio. Nomear é o primeiro passo para que os autores sejam julgados e responsabilizados. Os dados que apuramos apontam para 570 crianças com menos de 5 anos mortas durante o governo Bolsonaro por causas evitáveis: diarreia, desnutrição, malária, verminoses etc.. Quase certamente é bem mais, porque o território sofre também um apagão estatístico. Isso não é fatalidade, não é tragédia, não é drama. É genocídio. Para esse crime, há leis no Brasil e no sistema penal internacional. Jair Bolsonaro e ministros de seu governo devem ser julgados por genocídio dentro e fora do país, para que, como diz a jurista Deisy Ventura em seu artigo, esse seja o último. Não basta, porém, deixar isso a cargo do governo e das instituições. É preciso que toda a sociedade, todos os grupos, de todos os Brasis se juntem para exigir o julgamento dos responsáveis. Doar recursos e alimentos é importante, oferecer-se como voluntária/o na Força Nacional do SUS é importante, mas não é suficiente. Precisamos — todas, todos, todes — nos engajarmos na luta por justiça. Precisamos não apenas porque é a única atitude ética diante de um genocídio, mas também por nós. Se deixarmos mais um genocídio passar, não haverá país nenhum. Leia a matéria completa. Fonte: Sumaúma, USP, Poder 360.

É preciso um Tribunal de Nuremberg sobre genocídio Yanomami

Por Flavia Rocha-Mello – Há 78 anos, no dia 27 de janeiro de 1945, o exército soviético libertou os prisioneiros da Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia. Naquele momento havia milhares de homens, mulheres e crianças sofrendo nas mãos dos nazistas. Acredita-se que mais de 3 milhões de pessoas morreram no maior campo de concentração, que funcionou a partir de 1940. Enquanto judeus, ciganos, negros e outros perseguidos pelo regime eram condenados ao trabalho forçado, morriam de fome, doenças ou nas câmaras de gás, o mundo fingia que não sabia o que acontecia por ali. Em 2023, um novo genocídio é descoberto, o dos Yanomami, e agora nem há a desculpa de uma guerra. Durante 4 anos o Brasil foi governado pelo governo da morte, segundo as primeiras informações, nos últimos 4 anos, 570 crianças morreram, um aumento de 30% quando comparado aos quatro anos anteriores. As cenas são dignas de Auschwitz, adultos e crianças transformados em esqueletos. O que ocorreu em Roraima não foi uma negligência, foi um genocídio calculado. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jornalistas Livres.

Acolher para recrutar: a miséria como arma das neopentecostais e da Nova Direita no Brasil

Por Vijay Prashad – O Estado de Austeridade no mundo capitalista abandonou seu dever elementar de prover auxílio. Neste contexto de imensa pobreza e fragmentação social, as pessoas recorrem a diferentes tipos de religiões populares em busca de alívio. Há razões práticas para essa mudança, é claro, uma vez que igrejas, mesquitas e templos fornecem alimentação e educação, bem como locais para reuniões comunitárias e atividades para crianças. Onde o Estado aparece principalmente na forma de polícia, os pobres urbanos preferem refugiar-se em organizações de caridade muitas vezes ligadas de uma forma ou de outra a ordens religiosas. Mas essas instituições não atraem as pessoas apenas com refeições quentes ou canções ao entardecer; há um fascínio espiritual que não deve ser minimizado. Nossas investigadoras no Brasil têm estudado o movimento pentecostal nos últimos anos, realizando pesquisas etnográficas em todo o país para entender o apelo dessa seita em rápido crescimento. Novas tradições religiosas fornecem uma forma de esperança, um evangelho da prosperidade cujo Deus mede a salvação não em termos da graça divina na vida após a morte, mas no saldo atual da conta bancária. O pentecostalismo, uma forma de cristianismo evangélico começou a moldar a consciência dos pobres urbanos e da classe trabalhadora em muitos países, com ideias tradicionalistas, e tem sido fundamental nos esforços para transformar essas populações em base da Nova Direita. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Diálogos do Sul.

Fundamentalismo e imperialismo na América Latina: ações e resistências

Por José Carlos Mariátegui – A pesquisa Evangélicos, Política e Trabalho de Base, do escritório Brasil do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, tem como objetivo apresentar neste dossiê uma síntese sobre o caminhar tortuoso da religião cristã na América Latina e o fundamentalismo em ascensão. Apresentaremos o fenômeno do fundamentalismo religioso enquanto um projeto de poder imperialista, abordando desde sua origem até a atual projeção nas políticas na região e suas principais bandeiras, como as pautas antigênero, anticomunista e antidemocráticas, com exemplos concretos a partir da política brasileira. A origem do fundamentalismo religioso que vai desembocar nas igrejas neopentecostais de hoje em dia nasceu nos EUA. Leia a matéria completa. Fonte: Tricontinental Institute for Social Research.

Lilia Schwarcz: democracia e povo negro

Em entrevista ao projeto Ciclo22, a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em São Paulo, analisa o que esperar para o futuro da democracia no País. Para ela, será preciso antes de tudo enfrentar questões ambientais e sociais, como o racismo estrutural, por exemplo. “Penso que a grande contradição da sociedade brasileira, como um todo, no tempo passado e presente, como eu chamo: “nosso presente-passado”, é a questão racial. O Brasil foi, como nós sabemos, o último país a abolir a escravidão mercantil dos 12 milhões de africanos e africanas, o que é muito perverso! Escravizados e escravizadas em todo o território nacional… Isso criou uma estrutura no País. Ou seja, não é uma questão que ficou morta no passado”, analisa Schwarcz. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Jornal da USP.

Mais conservador, novo Congresso será desafio para agenda feminista, mostra estudo

Por Caroline Oliveira – Nas últimas eleições os brasileiros elegeram deputados federais e senadores expressivamente conservadores sobre assuntos como direitos sexuais e reprodutivos, violência contra a mulher, concepção de família, posicionamento sobre responsabilidades domésticas, religião e posições antigênero. A constatação é de um estudo encomendado pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), divulgado em janeiro deste ano, que analisou individualmente o posicionamento de deputados federais e senadores eleitos em 2022, nas redes sociais em relação aos assuntos da agenda feminista. No geral, o estudo mostra um “retrato do Congresso” que “nos impõe grandes desafios para estes quatro anos”, informa um trecho do relatório produzido sob a coordenação de Denise Mantovani, doutora em Ciência Política com pós-doutorado em estudos feministas interseccionais pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora em gênero, mídia e política. Leia a matéria completa. Fonte: Brasil de fato.

Com dois movimentos, novo Governo redireciona política de direitos reprodutivos

A retirada do Brasil da Declaração do Consenso de Genebra no mês passado, logo após revogação da portaria que criava obstáculos para acesso ao aborto legal pelo Ministério da Saúde, foram os primeiros movimentos do Governo Lula para redirecionar a política de direitos reprodutivos. A atuação conjunta dos Ministérios da Saúde, das Relações Exteriores, das Mulheres e dos Direitos Humanos e Cidadania retira país de aliança conservadora e tem aprovação da sociedade civil, enquanto desperta indignação da extrema-direita no Congresso Após essas duas ações, a Gênero e Número levantou os Pactos Internacionais assinados pelo Brasil para mostrar o quanto esses acordos intervêm de maneira favorável ou não aos direitos das mulheres. Leia a matéria completa. Fonte: Gênero e Número.

Guia da Organização Mundial da Saúde: atualização de orientações em contracepção e saúde sexual e reprodutiva

Periodicamente a Organização Mundial da Saúde (OMS) reúne um grupo de experts em saúde reprodutiva, chamado Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes, para a atualização do guia internacional chamado Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use (no Brasil traduzido como Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos), conjunto de recomendações baseadas em evidências científicas que norteiam a prescrição de métodos contraceptivos em situações clínicas especiais, como hipertensão, tabagismo e diabete, por exemplo. A publicação dos novos critérios está prevista para 2024. Leia a matéria completa. Fonte: USP.

No século XXI, brasilianistas diversificam focos de interesse

Por Diego Viana – Em vez de interpretar o país, hoje estrangeiros que estudam o Brasil buscam inseri-lo em temas globais. “A nova geração tem mais preocupação com os temas. Já não se pensa em termos de história de uma nação. É por isso que se fala em ‘história do mundo atlântico’, da diáspora africana, dos movimentos indígenas e assim por diante. É algo que escapa dos contextos nacionais”, afirma a historiadora norte-americana Barbara Weinstein. Conforme Weinstein, o fim da Guerra Fria (1947-1991) representou, por um lado, um arrefecimento do interesse pela América Latina e pelo Brasil nos Estados Unidos, já que a ameaça de expansão soviética evaporou. Por outro, ampliou o leque de assuntos que os pesquisadores examinam, por meio de temas transnacionais, como o tráfico de escravizados, e as relações de gênero e raça. Fundada em 1992, a partir da Latin American Studies Association (Lasa), a Brasa é a entidade mais importante na difusão de estudos brasileiros no exterior. Leia a matéria completa. Fonte: Pesquisa Fapesp.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA

Boletim Eletrônico Nacional

Periodicidade: Mensal

EDITOR

Valdisio Fernandes

EQUIPE

Aderaldo Gil, Allan Oliveira, Aline Alsan, Ana Santos, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Denilson Oliveira, Enoque Matos, Glauber Santos, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Keu Sousa, Jeane Andrade, Josy Andrade, Josy Azeviche, Leila Xavier, Luan Thambo, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Mônica Lins, Patricia Jesus, Ronaldo Oliveira, Roselir Baptista, Silvanei Oliveira, Tamiris Rizzo.

ANO XVIII – EDIÇÃO Nº 215 – FEVEREIRO 2023

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