A Covardia de uma família de fugitivos:

Na segunda-feira (26), um dia antes de fugir para os EUA, Flávio gravou um vídeo dizendo que “Eu nunca pensei em sair do país“.

 

Flávio Bolsonaro (PL) chegou aos Estados Unidos na terça-feira (27), em uma fuga dois dias depois de sua derrota no segundo turno da disputa presidencial brasileira, seguindo um caminho semelhante ao de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro – julgado e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado – e do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Segundo a BBC Brasil, ele teria pousado na Flórida e sido recebido por seu irmão, Eduardo. O Departamento de Estado dos EUA comunicou que o governo de Donald Trump vai conceder vistos para a entrada do senador e sua família no país.

 

As suspeitas de fuga vieram a público ainda na madrugada de terça-feira (27), quando o portal argentino Infobae revelou que Flávio teria entrado na Argentina usando seu RG para embarcar em Porto Iguaçu, na província de Missiones, com destino ao território americano. No entanto, o jatinho que o Infobae apontou como aquele no qual ele embarcaria não levantou voo de Porto Iguaçu. Portanto, seu ponto de partida teria sido de outro lugar.

 

De acordo com informações de bastidor obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo, o plano para saída dele do Brasil contou com a participação do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ainda é incerto de onde o voo do senador teria partido.

 

Atendendo a pedido da Polícia Federal (PF), uma representação de 16 páginas assinada digitalmente às 21h16m, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite do domingo (25) que Flávio entregasse seus passaportes (comum e diplomático) em até 24 horas e o proibiu de deixar o país e de se comunicar com o advogado Willer Tomaz. Requerimento da PF foi atendido sem consulta prévia à Procuradoria-Geral da República, diante do risco iminente de fuga do senador.

 

Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados em processo por lavagem de dinheiro e evasão de divisas e corrupção em um esquema que envolve empresas de Tomaz e bets. Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao desvio de financiamento do repasse de quase 70 milhões de dólares Daniel Vorcaro do Banco Master para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O dinheiro foi transferido para um fundo sediado nos Estados Unidos e gerido pelo advogado Paulo Calixto, próximo a Eduardo Bolsonaro.

 

As investigações da Polícia Federal: a Conexão Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

 

A investigação em questão começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul. A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz alvo da “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal, que apura fraudes em benefícios do INSS e encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. A condição de “usuário master” permite poderes irrestritos de movimentação da conta. Para os investigadores, a situação sustenta a hipótese de participação econômica ou societária de fato do senador na empresa e apuram se o vínculo entre Flávio e Tomaz é, na verdade, uma sociedade oculta que pode ter movimentado grandes volumes de dinheiro de origem ilícita.

 

No dia 23/10/2026 Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz, amigo e suposto sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e ordenou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de suas empresas. As medidas foram justificadas pelo risco de destruição de provas após Tomaz fugir do Brasil para os EUA em agosto.

 

A decisão de Moraes atingiu Willer Tomaz em múltiplas frentes. Além do bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens móveis e imóveis, o ministro ordenou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e de quatro empresas a ele vinculadas: Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral Holdings SGPS. Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes de Tomaz, incluindo um diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.

 

Flávio Dino manda PF investigar suposto financiamento estrangeiro na campanha de Flávio Bolsonaro

 

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na terça-feira (27) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar denúncias de suposto financiamento estrangeiro à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de manipulação de algoritmos de redes sociais nas eleições. A decisão aponta a empresa Rockbridge Network, que faz parte de uma rede criada por JD Vance, vice de Donald Trump, como alvo central das suspeitas, com intermediação atribuída aos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang. A base jurídica da investigação está na própria Constituição Federal, que proíbe partidos políticos de receberem “recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros”.

 

Investigações contra Flávio seguirão no STF

 

Flávio perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro, quando acaba seu mandato de senador. Contudo, os inquéritos contra ele continuam no STF. A atual jurisprudência da Corte determina que investigações em curso são mantidas no STF, quando os supostos crimes forem cometidos durante o mandato e relacionados à sua atuação no cargo. Mesmo se estiver fora do país, isso não impede que as investigações prossigam.

 

 

Imprensa internacional repercute fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

 

Páginas na internet de jornais de diversos países repercutiram nesta terça-feira (27) a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. O embarque escondido para os Estados Unidos, menos de 48 horas após perder as eleições presidenciais, foi noticiado pela agência Reuters.

 

O jornal norte-americano The New York Times destacou, no título, que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos “após a derrota eleitoral”. O  diário americano relembrou que Flávio é investigado por suas ligações com o advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de US$ 1 bilhão.

“O Sr. Bolsonaro está sendo investigado por suas ligações com um advogado brasileiro acusado de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de um vasto esquema de fraude”, afirma.

 

O Financial Times ressaltou que Flávio havia prometido liderar a oposição, mas que sua fuga poderia custar à família Bolsonaro parte de sua autoridade sobre os partidos de direita no Congresso.

 

O The Wall Street Journal também recuperou a viagem de Jair Bolsonaro à Flórida, no fim de dezembro de 2022, dois dias antes de deixar o cargo, após se recusar a reconhecer a derrota eleitoral. Lembrou que o ex-presidente voltou ao Brasil três meses depois e passou a ser alvo de uma investigação que culminou em sua condenação a 27 anos de prisão e o cumprimento da pena em prisão domiciliar.

“Enquanto isso, o irmão mais novo de Flávio Bolsonaro, Eduardo, agora enfrenta uma pena de quatro anos de prisão se retornar ao Brasil.”

 

O Le Figaro adotou um tom mais contundente já no título: “Encurralado por escândalos, Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos após derrota para Lula”.

 

O Guardian recuperou a trajetória política de Flávio, destacando que ele aprovou “pouquíssimas” leis durante seus 24 anos de carreira como deputado estadual e senador.

 

A área internacional do Palácio do Planalto admite que a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos nesta terça-feira (27) pode desgastar ainda mais a relação com o governo norte-americano.

 

No entanto, o Palácio do Planalto vê que o problema maior foi criado entre o senador e os milhões de eleitores que votaram nele. Considera que o candidato derrotado nas urnas desrespeitou seus apoiadores ao deixar o país.

 

Fonte: Nexo, Revista Forum, BBC News, G1.

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