[Foto: Favela Sol Nascente no Distrito Federal, a maior do Brasil]

 

Se fossem um estado, favelas seriam o terceiro maior do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Sobram vontade e iniciativa, faltam recursos.

A ExpoFavela 2023 (17 a 19/03/2023) inciativa que busca dar visibilidade para ações surgidas na população periférica, divulgou a pesquisa DataFavela, que entre os dados mais relevantes mostra o poder econômico das comunidades pelo país. Se fossem organizadas em um estado, as favelas brasileiras teriam um PIB de R$ 200 bilhões. Isso significa que seria o terceiro estado mais rico do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo a pesquisa, o número de favelas dobrou na última década, totalizando 13.151 mapeadas pelo país. Apenas em um ano, as favelas aumentaram seu poder financeiro em R$ 12 bilhões. De acordo com o DataFavela, são estimados 5,8 milhões de domicílios em favelas com 17,9 milhões de moradores. Desse total, 5,2 milhões já empreendem, 6 milhões sonham ter um negócio próprio, e sete em cada dez pretendem abrir o empreendimento dentro da favela. Apesar dos números expressivos, apenas 37% dos empreendimentos são formalizados e têm CNPJ.

Os organizadores realizaram a pesquisa de 6 e 13 de março. Entrevistaram 2.434 moradores de favela distribuídos entre todas as regiões. O crescimento das favelas tem relação com a carestia. Nos últimos anos, o Brasil viu aprofundar a crise econômica e crescer a pobreza. Soma-se a isso a especulação imobiliária que eleva os preços nos bairros centrais.

“A favela é a concentração geográfica das desigualdades sociais, e muitas vezes o morador não encontra no emprego formal a oportunidade para desenvolver toda sua potencialidade. O morador da favela só vai conseguir ganhar mais do que dois salários mínimos se empreender dentro da favela. Assim, pode usar o seu potencial e fazer com que o dinheiro das favelas fique dentro das próprias favelas”, explica o fundador do DataFavelaRenato Meirelles.

Expectativas dos moradores

A pesquisa ainda mostra que, nos próximos 12 meses, 6,5 milhões de pessoas pretendem comprar um imóvel, e 7,9 milhões têm intenção de comprar móveis para casa. As informações reforçam que o principal sonho dos moradores de favela (34%) é ter uma casa própria. As mulheres (38%) são as que mais almejam a segurança da casa própria, enquanto 29% dos homens têm esse desejo. Na sequência, aparecem como principal sonho ter um negócio próprio (13%) e ter saúde (10%).

Sobre expectativas relacionadas à educação, 7,9 milhões pretendem iniciar um curso profissionalizante e 5,6 milhões, um curso de idiomas. Porém, para 61% dos moradores que participaram da pesquisa, o que falta para realizar as metas é dinheiro.

De acordo com Meirelles, as expetativas revelam que a retomada do crescimento econômico do Brasil começará nas favelas. “Esse evento (concentração demográfica) é muito importante para acabar com os estigmas que existem na favela. Lá, a grande maioria é trabalhadora, são as mulheres que lideram a economia, que cuidam dos filhos, dos outros. Na favela são os negros que formam a maior força econômica.”

 

IBGE: BRASIL TEM 11.403 FAVELAS, ONDE VIVEM CERCA DE 16 MILHÕES DE PESSOAS
A maior favela do Brasil fica no Distrito Federal, a unidade da federação mais rica do país. Dados preliminares do Censo 2022 apontam que o Sol Nascente superou a Rocinha, no Rio de Janeiro, e já é a maior do país, com 32.081 unidades habitacionais.
O levantamento do ‘Mapa da Riqueza do Brasil’, estudo coordenado pelo economista e diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), Marcelo Neri, mostra que o Distrito Federal está no topo do ranking de renda média da população (R$ 3.148) com a maior declaração de patrimônio por habitante (R$ 94,7 mil). Seguido pelo estado de São Paulo, com uma renda média de R$ 2.093 e patrimônio médio de R$ 90,8 mil.
O Brasil tem 11.403 favelas, onde vivem cerca de 16 milhões de pessoas, em um total de 6,6 milhões de domicílios, segundo uma prévia dos dados do Censo Demográfico 2022, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado significa uma expansão de cerca de 40% no número de brasileiros morando em favelas nos últimos 12 anos. O Censo Demográfico de 2010 tinha contado 11,426 milhões de habitantes em favelas naquele ano.
A favela mais populosa do País atualmente é a Sol Nascente, em Brasília, com 87.184 moradores. A carioca Rocinha, que liderava o ranking em 2010, ficou em segundo lugar em 2022, com 67.199 moradores. Em terceiro lugar, figurou Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, em Manaus, com 55.361 pessoas, seguida por Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, com população estimada em 54.793.
O instituto pondera que os dados referentes a 2022 são preliminares, “sujeitos a revisões até a divulgação dos resultados definitivos” do Censo Demográfico, atualmente ainda em campo.
O IBGE comunicou que está fechando parcerias com a Central Única de Favelas (Cufa) e diversas associações de moradores para completar o recenseamento dos domicílios localizados em favelas de todo o País. A Prefeitura do Rio de Janeiro também informou nesta sexta-feira, 17, que participaria, através do Instituto Pereira Passos, de uma “força-tarefa para auxiliar na reta final da contagem populacional nas favelas cariocas do Censo Demográfico 2022”.
Maiores favelas do país por número de domicílio:
1. Sol Nascente, Brasília: 32.081
2. Rocinha, Rio de Janeiro: 30.955
3. Rio das Pedras, Rio de Janeiro: 27.573
4. Beiru, Tancredo Neves: Salvador: 20.210
5. Heliópolis, São Paulo: 20.016
6. Paraisópolis, São Paulo: 18.912
7. Pernambués, Salvador: 18.662
8. Coroadinhoa, São Luís: 18.331
9. Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, Manaus: 17.721
10. Comunidade São Lucas, Manaus: 17.666
11. Baixada da Estrada Nova Jurunas, Belém: 15.601
12. Alto Santa Teresina – Morro de Hemeterio – Skylab-Alto Zé Bon, Recife: 13.040
13. Assentamento Sideral, Belém: 12.177
14. Jacarezinho, Rio de Janeiro: 12.136
15. Valéria, Salvador: 12.072
16. Baixadas da Condor, Belém: 11.462
17.Bacia do Una-Pereira, Belém: 11.453
18. Zumbi dos Palmares/Nova Luz, Manaus: 11.326
19. Santa Etelvina, Manaus: 10.460
20. Cidade Olímpica, São Luís: 10.378
21. Colônia Terra Nova, Manaus: 10.036

Fonte: Rede Brasil Atual e Correio Braziliense.

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