Por Celso Japiassu

Realiza-se em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro até a sexta feira 12 de novembro a COP-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas). O Brasil, como sempre, encontra-se mal na fita. Bolsonaro, ao contrário de outros chefes de estado, não compareceu. Na COP-25, realizada em fins de 2019 em Madrid, o Brasil já tinha dado vexame. A delegação chefiada por Ricardo Sales, o atabalhoado e mal intencionado Ministro do Meio Ambiente na época, tentou de todas as formas bloquear as resoluções da conferência. Só aderiu ao documento no final, depois de fortes pressões dos outros países.

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Embora tenha acrescentado ao seu mostrador um toque de otimismo, com a exibição do percentual de energia renovável que o mundo passa a utilizar a cada dia, o ameaçador relógio do clima de Nova Iorque tem pouco a comemorar. O sombrio artefato da Union Square mostra o tempo que resta ao planeta. Se forem mantidas as emissões de carbono nos níveis de hoje, dentro de poucos anos a temperatura vai subir 1,5 graus Celsius e tornará insustentável a vida na Terra.

A ONU declara que as alterações climáticas representam uma emergência sem precedentes. Nunca a destruição foi tão rápida e a comunidade internacional está falhando no combate a essa crise. Os últimos cinco anos foram os mais quentes de toda a lembrança humana e a temperatura média aumentou quase 1 por cento. A Organização Mundial de Meteorologia – OMM – acredita que, na trajetória atual, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3 a 5 graus Celsius até o final do século. E a humanidade terá de procurar outro planeta para onde se mudar.

(FloridaStock/Shutterstock)

Em artigo na Carta Maior, Liszt Vieira lembra que a situação é tão grave que já se fala na possibilidade de colapso da atual civilização.

A Terra já foi palco de cinco extinções em massa antes dessa que agora nos ameaça, assinala Liszt Vieira. Há 450 milhões de anos, 86% de todas as espécies foram mortas. 70 milhões de anos depois, 75%. 100 milhões de anos depois, 96%. 50 milhões de anos depois, 80%. 150 milhões de anos depois, 75% de novo. Com exceção da extinção dos dinossauros, todas envolveram mudanças climáticas.

Os tribunais

A nova frente de luta dos defensores da vida na Terra são os tribunais. Em vários países têm sido impetradas ações judiciais em nome do clima e contra os Estados, aqueles que definiram eles próprios as metas no Acordo de Paris e que não as cumprem. Algumas vitórias foram obtidas e são consideradas históricas, como aconteceu no início deste mês nos Países Baixos. Depois de várias vitórias da causa nas instâncias inferiores, o Supremo Tribunal determinou que o Governo da Holanda tomasse providências para uma redução de emissão de gases com efeito de estufa de pelo menos 25% em relação aos percentuais de 1990. Quem patrocinou a ação foi a Fundação Urgenda (https://www.urgenda.nl/en/home-en/), uma organização sem fins lucrativos da Holanda que visa ajudar a fazer cumprir os tratados ambientais nacionais, europeus e internacionais. Foi o primeiro caso e assim estimula outras ações judiciais contra o poder executivo em nome da luta pela sobrevivência do planeta. O advogado da Urgenda, Dennis van Berkel, disse que é inevitável o surgimento de novos casos porque a crise climática é demasiado séria para ser deixada em paz.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, aplaudiu a decisão e estimulou outros grupos em outros países a seguirem o mesmo caminho.

As ações que obrigam os governos a cumprirem os compromissos assumidos ganhou um reforço com a resolução do Conselho dos Direitos Humanos da ONU reconhecendo como um direito universal o acesso a um meio ambiente saudável e sustentável. A Assembleia Geral da ONU vai confirmar essa resolução.

Realiza-se em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro até a sexta feira 12 de novembro a COP-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas). O Brasil, como sempre, encontra-se mal na fita. Bolsonaro, ao contrário de outros chefes de estado, não compareceu. Na COP-25, realizada em fins de 2019 em Madrid, o Brasil já tinha dado vexame. A delegação chefiada por Ricardo Sales, o atabalhoado e mal intencionado Ministro do Meio Ambiente na época, tentou de todas as formas bloquear as resoluções da conferência. Só aderiu ao documento no final, depois de fortes pressões dos outros países.

(Getty Images)

Mais de cem mil pessoas fizeram uma marcha de protesto em Glasgow junto com várias outras pelo mundo assinalando um Dia Global pela Justiça Climática. Indígenas do Amazonas e do Quebec, cientistas e estudantes participaram defendendo a desobediência civil como o único meio de lutar contra as alterações climáticas. Não há mais confiança nas lideranças mundiais.

A atenção agora se dirige para a COP-27 porque esta última, como tem sempre acontecido, vai decepcionar quem esperava compromissos e medidas mais responsáveis. Há consenso de que os resultados da reunião de Glasgow serão insuficientes para limitar o aquecimento global.

Os negacionistas que se recusam a acreditar nas ameaças do clima são aqueles mesmos que dizem que a terra é plana, são contra as vacinas e alinham-se à extrema direita política.

(Ghulam Sb/prcs.org.pk)

Em sua última expedição, o quebra-gelo alemão Polar Stern constatou com surpresa que faltava gelo no Polo Norte. A placa de gelo polar tem hoje metade da espessura que tinha há 40 anos.

O tempo se esgota rapidamente para a possibilidade de vida na Terra, como nos lembra a cada segundo a contagem regressiva do relógio da Union Square.

 

Fonte: Carta Maior.

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ANO XVII – EDIÇÃO Nº 202 – JANEIRO 2022

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