Devido aos levantes antirracistas ao redor do mundo, a pauta da abolição prisional e policial volta ao centro do debate prioritário dos diversos movimentos negros internacionais. Haja vista, o quadro de aumento do genocídio do povo negro por conta das novas tecnologias de produção de morte e intensificação de uma onda conservadora ultraneoliberal e militarizada chegando aos principais postos de poder dos Estados nacionais.

Por isso, a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial percebe a importância de estimular o debate público sobre como os indivíduos avaliam o atual sistema de segurança pública brasileira, bem como, a possibilidade e o interesse de pensar em um mundo sem polícias e sem prisões.

O público alvo da pesquisa buscou contemplar a diversidade da sociedade brasileira, com diferentes faixas etárias, grupos étnicos, diferentes territórios, múltiplas orientações sexuais e distintos níveis de renda. A maior parcela dos participantes, cerca de 56% possuem entre 30 a 59 anos de idade, pessoas que já se encontram na fase mais adulta da vida. Ao mesmo tempo, ocorreu uma alta participação da juventude, 31% dos entrevistados e das entrevistadas possuem entre 18 a 29 anos. No geral, 87% dos participantes e das participantes são jovens e adultos.

No levantamento 93% das pessoas responderam que não confiam na polícia. Há uma série de relatos sobre violações de direitos, mau atendimento realizado por policiais e truculência durante a prestação de serviços.

Os dados da pesquisas também apontam questões importantes sobre o arcabouço de sistema de justiça brasileiro, em que 98% das pessoas não acreditam que o Judiciário garante justiça nos casos de violações cometidas por policiais. Há uma completa rejeição e uma desconfiança no judiciário quando se trata de casos que envolvam policiais já que são históricos os casos em que a própria legislação legitima e isenta o abuso policial. O que reforça que não é possível pensar o Direito apartado dos anseios do próprio Estado, o sistema de justiça legitima a execução de um projeto político de Estado. E, no caso brasileiro, um estado racista, genocida, elitista, patriarcal, cristão e heteronormativo.

 

Acesse o estudo na íntegra.

 

Fonte: Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR).

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ANO XVIII – EDIÇÃO Nº 206 –MAIO 2022

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