Não foi operação policial.
Não foi combate ao narcotráfico.
Não foi defesa da democracia.
O que os Estados Unidos fizeram contra a Venezuela foi um crime internacional, deliberado, planejado, consciente, cometido por uma potência imperial que já não se constrange em agir como bandido global.
Invadir um país soberano, atacar seu território, sequestrar seu presidente e sua companheira, à margem de qualquer organismo internacional, sem mandato da ONU, sem guerra declarada, sem legitimidade jurídica, é um ato de agressão, tipificado no direito internacional desde Nuremberg. Qualquer tentativa de relativizar isso é cumplicidade.
A narrativa americana do “combate ao narcotráfico” é mentira deslavada, uma farsa reciclada, usada há décadas para encobrir intervenções militares, golpes, sabotagens e pilhagens. Foi assim na Colômbia, no Panamá, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia. Sempre a mesma fórmula, sempre o mesmo resultado, destruição, caos, apropriação de recursos, submissão geopolítica.
A Venezuela não foi atacada por drogas.
Foi atacada por petróleo, por minérios, por posição estratégica, por ousar não se ajoelhar.
Trump não é exceção, é instrumento
Donald Trump não age fora do sistema. Ele é o sistema. É um operador tosco, ruidoso, mas absolutamente funcional da Doutrina de Segurança Nacional americana, a mesma que desde o pós guerra define a América Latina como “zona de influência” e “quintal estratégico”.
Não se trata de um delírio pessoal, mas de uma engrenagem histórica. Mudam os presidentes, democratas ou republicanos, muda o discurso, mas a prática imperial permanece intacta. Trump apenas retirou a maquiagem liberal e revelou o punho fechado.
O sequestro de um chefe de Estado estrangeiro não é justiça, é pirataria geopolítica. É o século XXI operando com métodos do século XIX. É a lei do mais forte travestida de legalidade doméstica, como se tribunais de um país pudessem se impor sobre outro Estado soberano à base de bombas.
Silenciar agora é abrir a porta do inferno
Se isso é aceito sem reação firme, nenhuma nação do Sul Global estará a salvo. Hoje foi a Venezuela. Amanhã, qualquer país que controle recursos estratégicos e insista em autonomia. O precedente é gravíssimo.
A América Latina precisa romper com a covardia histórica de esperar que o agressor defina os limites da agressão. Não se trata de apoiar governos, ideologias ou lideranças específicas. Trata se de defender o princípio elementar da soberania, sem o qual não existe nação, apenas colônias disfarçadas.
Todo império cai, e a conta sempre chega
A história é implacável. O Império Romano acreditava ser eterno. O nazismo se julgou invencível. Todos os impérios que transformaram a força em virtude e a pilhagem em política acabaram cobrados, política, moral e historicamente.
Os Estados Unidos trilham o mesmo caminho, arrogância, violência, desprezo ao direito internacional, convicção de impunidade. Mas nenhum império sobrevive eternamente à própria brutalidade.
O que ocorreu contra a Venezuela não será esquecido. Não será apagado por manchetes, nem por discursos, nem por tribunais seletivos. Foi um crime, foi uma agressão, foi um ato de rapina.
E quem hoje se cala, amanhã não terá direito de se dizer surpreendido.
JJ
Citando o The New York Times, o jornal O Globo destaca que o juiz federal Alvin K. Hellerstein solicitou que Maduro se identificasse perante a corte. Falando em espanhol, o presidente venezuelano afirmou ser o chefe de Estado da Venezuela e disse estar ali “sequestrado”. Ao deixar o tribunal, Maduro voltou a se manifestar em espanhol e afirmou: “Sou um prisioneiro de guerra”.
A história da América Latina é atravessada por uma constante que Eduardo Galeano descreveu com precisão quase cirúrgica em As Veias Abertas da América Latina (1971): a região não foi apenas explorada, mas organizada para ser explorada. Desde a invasão europeia até as formas contemporâneas de ingerência política, econômica e militar, o continente foi tratado como espaço de extração de riqueza e de disciplinamento político, raramente como sujeito pleno de sua própria história.
Fonte: Telesur, Jornal GGN e redes sociais.









