Prisão de Maxwell Corrêa foi fruto de uma delação premiada de Élcio Queiroz, que trouxe novos elementos para o caso

A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, na manhã desta segunda-feira (24), Maxwell Simões Correa na operação Élpis, primeira fase de investigação que apura os homicídios de Marielle Franco e de Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. Publicou nas redes sociais o ministro da Justiça, Flávio Dino.

Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e região metropolitana.

Maxwell Simões Correa é apontado como amigo de Ronnie Lessa, policial reformado acusado de efetuar os disparos. Ainda não há informações sobre os outros alvos da operação.

Maxwell foi condenado em 2021 por atrapalhar as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu prisão domiciliar ao ex-sargento do Corpo de Bombeiros.

Em maio do ano passado, Corrêa foi expulso do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro depois que foi condenado por obstruir as investigações acerca das mortes. Ele foi condenado a quatro anos de prisão em 2021 por ajudar a esconder armas que estavam no apartamento do policial militar reformado Ronnie Lessa, mas cumpria a pena em regime aberto. Na sua primeira prisão, foram encontradas uma BMW modelo X6, avaliada em mais de R$ 170 mil, a despeito de seu salário mensal de R$ 6 mil.

 

Marielle e Anderson: investigação ‘muda de patamar’ e se aproxima de mandantes

A operação que resultou na prisão do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa marca uma mudança de patamar da investigação sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que fica mais perto de descobrir os mandantes do crime. A informação foi dada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (24).

Dino explicou que a operação foi fruto de informações obtidas por meio de uma delação premiada do ex-PM Élcio Queiroz, preso desde 2019 por participação nos assassinatos de Marielle e Anderson. Nessa delação, Queiroz assumiu a própria participação e de Ronie Lessa no crime e também informou o nome de Maxwell.

“Com isso, nós temos, sob a ótica da Polícia Federal e dos demais participantes da investigação, a conclusão, um fechamento de uma fase da investigação, com a confirmação de tudo o que aconteceu na execução do crime”, afirmou Dino, que destacou que a apuração do caso ainda continua.

“Não há, de forma alguma, a afirmação de que a investigação se acha concluída. Pelo contrário. O que acontece é que há um avanço, uma espécie de mudança de patamar da investigação, que agora se conclui em relação ao patamar da execução. Há elementos para um novo patamar, qual seja, a identificação dos mandantes do crime”, disse o ministro.

“Naturalmente, há aspectos que ainda estão em investigação em segredo de justiça. O certo é que, nas próximas semanas, provavelmente haverá novas operações derivadas desse conjunto de provas que foi colhido.”

O ministro ainda confirmou que o crime tem relação com a ação das milícias que dominam parte do território fluminense. “Sem dúvida há a participação das milícias. Os fatos e provas indicam isso”, afirmou Dino.

O ministro acrescentou que “Ronnie, Élcio e Maxwell participam de um conjunto que está relacionado a essas organizações criminosas e milicianas que atuam no Rio de Janeiro”.

 

5 anos sem resposta

assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completou cinco anos em 14 de março e segue sem resposta sobre o mandante do crime. As investigações levaram à prisão de dois executores: o policial militar reformado Ronnie Lessa, por ter atirado na vereadora; e o motorista e ex-policial militar Elcio de Queiroz. Os motivos e os líderes do atentado permanecem desconhecidos.

“Já se passaram cinco anos: é muito tempo”. O desabafo é de Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, e resume o sentimento de familiares, amigos, ativistas, e de qualquer pessoa indignada com o crime. “Hoje, o mundo inteiro quer saber quem mandou matar Marielle. Isso não é uma questão a ser resolvida apenas para a família”, complementa a mãe.

O próprio processo de investigação passou a ocupar um lugar central no noticiário. A Polícia Civil teve cinco delegados responsáveis pelo caso na Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro. No Ministério Público Estadual, três equipes diferentes atuaram no caso durante esses anos.

A última mudança aconteceu há 10 dias, quando o procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, escolheu sete novos promotores para integrar a força-tarefa coordenada por Luciano Lessa, chefe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As trocas constantes de comando receberam críticas de familiares e movimentos sociais nesses cinco anos, e levaram a suspeitas de obstrução nas investigações.

Em maio de 2019, a Polícia Federal apontou que foram dados depoimentos falsos para dificultar a solução dos homicídios. Procuradoras abandonaram o caso em julho de 2021, com a afirmação de que houve interferência externa na investigação.

O novo comando do MPRJ disse estar comprometido em “não chegar a uma conclusão açodada, divorciada da realidade, mas de realizar um trabalho técnico e sério, voltado para identificar todos os envolvidos”. Sobre os mandantes e o motivo dos assassinatos, afirma que as dificuldades são maiores por ser “um crime onde os executores são profissionais, que foram policiais militares, que sabem como se investiga”.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, se manifestou em seu perfil no Twitter. “Falei agora por telefone com o ministro Flávio Dino e o diretor-geral da Polícia Federal sobre as novidades do caso Marielle e Anderson. Reafirmo minha confiança na condução da investigação pela PF e repito a pergunta que faço há 5 anos: quem mandou matar Marielle e por quê?”, disse Anielle.

 

Prisões

O avanço mais consistente no caso aconteceu em março de 2019, quando Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos no Rio de Janeiro. O primeiro é acusado de ter atirado em Marielle e Anderson, o segundo, de dirigir o carro usado no assassinato. Quatro anos depois, eles continuam presos, mas não foram julgados. Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça do Rio informou que é esperado “o cumprimento de diligências requeridas pela promotoria e pela defesa para que seja marcada a data do julgamento”.

 

Fonte: Band Jornalismo e Brasil de Fato.

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