Por Felipe Oliveira

A brasileira Lídia Galdino, professora da UCL (University College London), criou a conexão de internet mais rápida do mundo: 178,08 terabits por segundo. A pesquisa foi realizada durante dois anos e estabeleceu o novo recorde de transmissão de internet por fibra ótica.

Você se irrita quando a conexão fica lenta bem na hora do filme na Netflix? Se depender de uma brasileira, essa ansiedade nunca mais vai existir. Lídia Galdino, professora da UCL (University College London) e pesquisadora financiada pela Royal Academy of Engineering, ambas em Londres, conseguiu estabelecer uma conexão capaz de baixar mil filmes de um disco simples de blu-ray (25 GB) em apenas um segundo.

A pesquisa foi realizada durante dois anos e estabeleceu o recorde de transmissão de internet por fibra ótica, atingindo 178,08 terabits por segundo. Um terabit corresponde a 1.000 gigabits, ou 1 milhão de megabits. Para se ter uma ideia, no Brasil uma banda larga residencial de qualidade tem velocidade de 50 megabits por segundo.

A velocidade obtida pela pesquisa de Galdino está próxima do limite teórico de transmissão de dados, estabelecido pelo matemático americano Claude Shannon em 1949. O novo recorde, demonstrado em um laboratório da UCL, é 18,4% mais rápido do que o recorde mundial anterior, obtido por uma equipe no Japão, que em 2018 chegou a 150,3 Tb/s.

Com toda essa velocidade, seria possível baixar toda a biblioteca da Netflix em menos de um segundo, ou os dados que compuseram a primeira imagem de um buraco negro em menos de uma hora. Para conseguir esta imagem, foram necessárias meia tonelada de discos rígidos.

De acordo com a University College de Londres (UCL), a velocidade atingida é o dobro da capacidade de qualquer sistema implantado atualmente no mundo. O recorde foi alcançado por meio de uma gama muito mais ampla de comprimentos de onda normalmente usadas em fibra ótica.

“A infraestrutura atual usa uma largura de banda de espectro limitada de 4,5 THz, com sistemas de largura de banda comercial de 9 THz entrando no mercado, enquanto os pesquisadores usaram uma largura de banda de 16,8 THz”, diz o comunicado.

A informação é transmitida pela internet via pulsos de luz em cabos de fibras óticas. Propriedades da luz, como brilho, fase e polarização, são usadas para codificar as informações e transmitir os dados. As diferentes frequências dos pulsos perdem potência durante a transmissão. Por isso, são necessários entre 40 e 100 quilômetros de canos de fibras para aumentar a potência desses sinais.

Para conseguir o recorde, os pesquisadores desenvolveram um amplificador para aumentar a potência do sinal e maximizar a velocidade. Com esse dispositivo, foi possível alternar o brilho e polarização da luz, manipulando as propriedades de cada comprimento de onda individual.

“A infraestrutura atual de fibras óticas usa uma faixa restrita de frequências de luz para transportar as informações, devido às limitações da largura de banda das tecnologias atuais. Nós conseguimos o recorde porque usamos diferentes tecnologias de amplificadores óticos que possibilitaram dobrar a extensão de frequências de luz”, explicou Galdino.

Outro fator que contribuiu para o recorde foi o desenvolvimento de novos algoritmos que proporcionaram usar melhor essas propriedades da luz e aumentar a velocidade de cada frequência transmitida.

Além do aumento de velocidade, uma das vantagens é a diminuição nos custos. Segundo a pesquisa, o benefício dessa técnica é que ela pode ser implantada em uma infraestrutura já existente, apenas “atualizando os amplificadores que estão localizados nas rotas de fibra ótica em intervalos de 40 a 100 quilômetros”.

Ao fazer uma atualização na rede, o custo seria de aproximadamente 16 mil libras (cerca de R$ 112 mil, na cotação atual). É algo bem mais barato que a instalação de novas fibras óticas —que, segundo o levantamento, podem custar até 450 mil libras (R$ 3,12 milhões) por quilômetro em zonas urbanas.

Além disso, nos últimos anos as operadoras têm experimentado um crescimento no tráfego da internet nos últimos dez anos, o que foi agravado durante a crise da covid-19. Segundo a UCL, houve um aumento de até 60% no tráfego durante a pandemia.

“Todo esse crescimento na demanda de dados está relacionado à redução do custo por bit. O desenvolvimento de novas tecnologias é crucial para manter essa tendência de redução de custos e, ao mesmo tempo, atender às demandas futuras de taxas de dados, que continuarão a aumentar, com aplicativos ainda não pensados que transformarão a vida das pessoas”.  Lídia Galdino, professora da University College London.

Questionada se essa velocidade chegaria ao consumidor final, a pesquisadora disse que ela “seria usada na infraestrutura central e não para o usuário final”. Também ressaltou que pesquisas como essas são essenciais para a implantação da internet 5G, que afetará significativamente a infraestrutura global de cabos de fibras óticas.

“As metas de desempenho de rede do 5G são fortemente baseadas na disponibilidade de fibra, e em grande quantidade, para as premissas da antena. Portanto, alta velocidade de transmissão em redes de cabos de fibras óticas será fundamental para apoiar essas redes”, afirmou Lídia.

 

Fonte: Tilt | UOL.

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ANO XVI – ED. 186 – SETEMBRO DE 2020

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