Na próxima segunda-feira, 29, chega às livrarias brasileiras pela Companhia das Letras, a obra “Enciclopédia Negra”, de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz. A obra conta com a colaboração de 36 ilustres artistas negros.

No ilustre livro, os escritores revelam a importância do protagonismo negro ao longo da história brasileira, reconstituíndo o período da escravidão e do pós-abolição.

Além disso, a partir de uma linguagem singular e profunda, os autores apresentam mais de 500 figuras que impactaram a história nacional.

Enciclopédia negra pretende ampliar a visibilidade das histórias de cerca de quinhentos negros e negras, apoiando-se na vasta produção historiográfica, antropológica e sociológica que se debruçou sobre a escravidão e o pós-abolição. Muitas dessas trajetórias foram invisibilizadas, por conta da violência com que são fundados e organizados os nossos arquivos, bem como as narrativas construídas e divulgadas; ainda mais quando se trata de mulheres negras e pessoas LGBTQI+ negras. O livro faz parte de um projeto mais amplo, que envolve outros parceiros como Instituto Ibirapitanga, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Soma Cidadania Criativa e Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Dentre os personagens, é possível encontrar personagens ativistas e revolucionários; líderes religiosos de matriz africana; curandeiros e médicos; e figuras maternas que lutaram bravamente pela alforria do seu povo.

Reunidos em um memorável caderno fotográfico, os 416 verbetes biográficos dessa enciclopédia foram produzidos por mais de 36 ilustres artistas, que por meio de belíssimas ilustrações reconstituíram experiências individuais e coletivas de pessoas que marcaram o país.

Com o apoio do Instituto Ibirapitanga, o projeto da Enciclopédia Negra ganhará uma exposição com mais de 100 retratos de personalidades negras. O projeto foi organizado pela Pinacoteca de São Paulo e está previsto para ser oficialmente inaugurado em abril deste ano.

Com arte de capa feita por Oga Mendonça, a obra já encontra-se disponível em pré-venda na Amazon.

“O Brasil sofre com um racismo estrutural e institucional, legado dos tempos da escravidão, mas muito estabelecido em nossa contemporaneidade. Como indica o termo, o racismo “estrutura” as relações sociais em nosso país, estando presente nas mais diversas áreas: na educação, na saúde, na cultura, nos esportes, no trabalho. Práticas e atitudes racistas alijam uma parcela considerável de nossa população, tolhendo-a de oportunidades indispensáveis e fundamentais e impedindo-a de exercer atividades profissionais na plenitude de seu potencial criativo e produtivo. A erradicação do racismo é ainda mais urgente em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira, em que pretos e pardos, segundo dados do IBGE, representam quase 56% da população.

Parece que finalmente o tema do racismo começa a ganhar prioridade no debate público brasileiro. Nunca é demais lembrar que a questão não diz respeito apenas às pessoas negras, e sim a toda a sociedade. Tampouco é exclusivamente moral, pois de nada vale continuarmos a dizer que “não somos racistas”. É passada a hora de praticarmos atos antirracistas, e atuarmos como aliados nessa luta que é de todos.

Jamais teremos no Brasil uma economia forte e uma sociedade pujante e produtiva (e precisamos delas para vencer a extrema pobreza e a desigualdade que hoje nos assolam) se o racismo permanecer operante entre nós.”

 

Fonte: Companhia das Letras.

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ANO XVII – EDIÇÃO Nº 198 – SETEMBRO 202I

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