Por Paulo Henrique

A versão mais atualizada do site “Documenta Palmares”.

 

Documenta Palmares é um site que reúne milhares de documentos históricos, centenas de obras e vários mapas sobre a história dos Palmares. É um instrumento de pesquisa sobre o mais importante movimento de resistência à escravidão da história do Brasil.

 

O site disponibiliza, num só lugar, cópias digitais de fontes textuais dos séculos XVII e XVIII, livros e artigos, materiais audiovisuais e projeções cartográficas que oferecem informações detalhadas sobre os Palmares e seu significado ao longo do tempo. Os mecanismos de busca permitem cruzar e checar os dados, descobrir novidades.

 

Neste site, construído com base na pesquisa e por iniciativa da historiadora Silvia Hunold Lara, com o apoio de Felipe Aguiar Damasceno na elaboração dos mapas e do IFCH/CECULT da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, os interessados poderão encontrar fontes manuscritas, impressas, estudos de várias disciplinas (história, arqueologia, etc) e mapas, que permitem estudos aprofundados com base na melhor evidência disponível para o tema.
Palmares foi uma designação genérica para um conjunto de mocambos organizados por quilombolas, na sua maioria de cultura ambundu (Ndongo e Matamba), entre outros povos que habitavam os territórios do que são hoje o moderno território do centro-norte de Angola, oeste da República Democrática do Congo (RDC) e sul da República do Congo.
Os mocambos de Palmares foram a mais longa (mais de um século, desde o final dos anos 1590, até o 1694, porém, incluindo algumas reminiscências no século XVIII) e efetiva experiência de resistência contra o escravismo imperante na colônia portuguesa, há época, chamada de Estado do Brasil, mas que também lutou contra a colônia instaurada pelos invasores holandeses na capitania de Pernambuco, há época, chamada de Nova Holanda (1630-1654).
Ao longo do século XX e atualmente, o “quilombo dos Palmares”, é considerado no imaginário do movimento negro brasileiro, como um símbolo de resistência e luta por igualdade. E, de fato, os mocambos de Palmares foram a maior experiência de rebelião no século XVII nas Américas e, talvez, só fique atrás em grau de importância, da Revolução de Santo Domingo, que culminou na fundação da segunda mais antiga república das Américas, a República do Haiti.
Por ser um símbolo de luta, Palmares se tornou alvo do “revisionismo” histórico de polemistas contemporâneas que argumentaram que Palmares não poderia assumir este papel de “símbolo de resistência”, pois lá existiria “escravidão”, tal como nas plantações e engenhos de açúcar. Tais polemistas, também destacavam a origem social de Zumbi, líder dos mocambos durante sua fase mais forte, pois Zumbi seria um “imbangala” (jaga, na terminologia lusa da época). Os imbangalas formaram no início do século XVII, acampamentos militares (quilombos) aliados aos portugueses de Luanda, que funcionavam como verdadeiros “Estados Apresadores” de negros, sendo o mais conhecido, o Reino de Cassanje.
Nos mocambos de Palmares, não há registro fiável, da existência de um escravismo de tipo colonial, tal como praticado nas plantações e engenhos de açúcar, mas é bastante provável, que existia um regime de dependência/criadagem, semelhante ao que ocorria nos Reinos do Congo, Ndongo e Matamba. Este regime de dependência ou criadagem, não pode ser confundido com o escravismo colonial. Os próprios missionários capuchinhos, que atuavam no Reino do Congo nos séculos XVII e XVIII, relatavam que os dependentes/criados destes reinos, teriam uma “condição pouco discernível da condição de homes livres”. A associação do regime de dependência/criadagem típica dos reinos ambundu e quicongos, ao regime de “escravidão”, foi uma artimanha conveniente adotada pelos portugueses, para reduzir tais dependentes a condição jurídica de escravos dentro da economia colonial em consolidação no Atlântico Sul. Quanto a origem social de Zumbi, o que fica claro, é que, dentro do contexto dos mocambos de Palmares, ele usou seus conhecimentos militares imbangalas, com maestria contra o escravismo colonial. Uma importante nota final é necessária. A ideia de liberdade “universal”, apenas seria formulada na segunda metade do século XVIII, portanto, a noção de liberdade que permeava os mocambos de Palmares, certamente seria mais restrita e reduzida a uma ideia de “liberdade” aos que lutam contra os seus opressores.

Não perca a oportunidade de conhecer melhor a história dos Palmares e suas múltiplas dimensões.

Fonte: Comunidade Afro-educativa | Início | Documenta Palmares (unicamp.br)
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