Por  Eloá Cipriano

 

Produzida pelo SescTV, a série ficou entre as cinco finalistas na categoria Melhor Narrativa Internacional, ao lado de obras da Nigéria e do Reino Unido.

 

O International Black Film Festival acontece desde 2006 e está na XIV edição. Tem como missão exibir produções que levem às telas as histórias negras contadas em termos historicamente corretos e do ponto de vista de seus protagonistas. E essa foi a proposta de Revolta dos Malês, série produzida pelo SescTV, adaptada para o cinema e que participou da edição 2020 do IBFF: uma das mais importantes e menos conhecidas passagens da nossa história, encenada por atores brasileiros, do ponto de vista dos homens e mulheres do Mali — que foram escravizados e trazidos até o Brasil.

 

A Revolta dos Malês aconteceu em Salvador na noite de 24 de janeiro de 1835, durante o Brasil Império, organizada pelos escravos de origem islâmica (sobretudo das etnias hauçá e nagô). A rebelião teve motivação religiosa cujo objetivo era libertar todos os negros escravizados da religião islâmica, além de matar pessoas consideradas traidoras – independentemente da etnia – e, assim, tomar o poder para transformar a Bahia em um estado muçulmano.

 

Para retratar esse acontecimento, a produção tem como protagonistas descendentes africanos. “Foi um momento de encontro com atrizes e atores afrodescendentes talentosos. Elaboramos uma construção artística que nos levou a um aprofundamento fundamental para nosso ofício. Éramos um grupo empenhado não somente em contar, mas em conhecer nossa própria história”, expõe o diretor Jeferson De. O militante da causa negra no cinema brasileiro completa: “Como diria James Baldwin ‘[…] podemos até conhecer os fracassos de uma pessoa, mas nem sempre conhecemos sua luta’. Foi esta luta de mulheres e homens que queríamos conhecer e contar”.

 

Revolta dos Malês, uma ficção que mescla cinema e teatro, inspirada em um importante motim liderado por africanos escravizados, que ocorreu na noite de 24 para 25 de fevereiro de 1835, na cidade de Salvador – BA. Com direção do carioca Belisario Franca e do paulista Jeferson De, a produção, dividida em cinco capítulos de 25 minutos cada, tem como fio condutor a história de Guilhermina, uma mãe que luta para libertar a sua filha da escravidão. Assista a todos os cinco episódios on demand em sesctv.org.br.

 

Fonte: Segs.

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ANO XVI – ED. 186 – SETEMBRO DE 2020

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